Operação ocorre em um momento em que a migração e o tráfico de pessoas voltaram ao centro do debate na Europa após tentativa em massa de atravessar a fronteira de Ceuta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um policial faz a segurança enquanto crianças migrantes aguardam em fila do lado de fora de uma delegacia para serem registradas, após travessias em massa de migrantes a pé e por mar do Marrocos para o território espanhol, em Ceuta, na Espanha, em 6 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura A polícia espanhola desmantelou o que descreveu como uma das maiores redes de tráfico de migrantes em operação no Mediterrâneo, que teria levado mais de 2 mil migrantes ao país, informaram as autoridades nesta sexta-feira. "A Guarda Civil e a Polícia Nacional (...) desmantelaram com sucesso uma das redes criminosas transnacionais mais complexas, ativas e perigosas detectadas até hoje no Mediterrâneo", afirmou a Guarda Civil da Espanha. A operação ocorre em um momento em que a migração e o tráfico de pessoas voltaram ao centro do debate na Espanha e em toda a Europa, depois que uma tentativa em massa de atravessar a fronteira do enclave espanhol de Ceuta, na semana passada, levou 72 mil pessoas a entrar na cidade. Segundo o comunicado, a rede utilizava lanchas de alta velocidade para transportar drogas sintéticas da Espanha para a Argélia, de onde eram distribuídas pelo norte da África, região onde há forte demanda por drogas como MDMA. Na viagem de volta, o grupo levava migrantes clandestinamente para a costa sudeste da Espanha e para a ilha de Ibiza. A polícia acredita que o grupo — que recorria à violência extrema para proteger suas embarcações — realizou pelo menos 64 operações de tráfico e obteve lucros de 24 milhões de euros (US$ 27 milhões). Embora o número de migrantes irregulares que chegaram à Espanha por via marítima tenha caído 31% entre janeiro e julho, isso se deveu em grande parte à redução de 60% nas chegadas às Ilhas Canárias, segundo dados do Ministério do Interior. Em contraste, a migração irregular para a Espanha continental e as Ilhas Baleares aumentou 22% e 10%, respectivamente, no mesmo período, à medida que os traficantes passaram a utilizar mais as rotas que partem da Argélia. Durante a investigação, realizada em conjunto com a Europol e as polícias da França, de Portugal e da Polônia, as autoridades apreenderam 18 lanchas de alta velocidade e prenderam 77 pessoas na Espanha e uma na Argélia. Crianças migrantes fazem fila do lado de fora de uma delegacia para serem registradas após travessias em massa de migrantes a pé e por mar do Marrocos para o território espanhol, em Ceuta, na Espanha, em 6 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura A rede cobrava até 12 mil euros por migrante e transportava até 50 pessoas em uma única travessia, segundo o comunicado. As travessias marítimas eram extremamente perigosas, afirmou a Guarda Civil, com os migrantes viajando em embarcações superlotadas, em alta velocidade e, muitas vezes, sob mar agitado, sem iluminação e, na maioria dos casos, sem coletes salva-vidas. "Às vezes, os ocupantes chegavam a ser amarrados para evitar que caíssem no mar durante a travessia", afirmou a polícia, acrescentando que a organização empregava níveis extremos de violência contra seus próprios integrantes e os migrantes, assim como contra as forças policiais.
Espanha diz ter desmantelado uma das maiores redes de tráfico de migrantes do Mediterrâneo
Operação ocorre em um momento em que a migração e o tráfico de pessoas voltaram ao centro do debate na Europa após tentativa em massa de atravessar a fronteira de Ceuta













