Publicações em árabe incentivam migrantes a tentar chegar ao enclave espanhol; autoridades investigam organização do movimento e possíveis riscos à segurança 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Barreira flutuante em Ceuta — Foto: JORGE GUERRERO / AFP As autoridades espanholas estão em alerta após a circulação de mensagens nas redes sociais convocando uma nova tentativa de travessia em massa da fronteira entre o Marrocos e Ceuta para o dia 15 de agosto. O enclave espanhol no norte da África ainda enfrenta as consequências da chegada de dezenas de milhares de migrantes na semana passada, movimento que deixou dezenas de mortos e levou ao colapso da estrutura local de acolhimento. Segundo o jornal britânico The Sun, publicações em darija — variante do árabe falada principalmente no Marrocos — indicam que grupos estariam sendo organizados pelo WhatsApp e pelo Facebook para uma nova mobilização. Uma das mensagens divulgadas afirma que o “compromisso está marcado” para 15 de agosto, enquanto outra pede que interessados enviem a palavra “Ceuta” em uma conversa privada para receber instruções. A suposta convocação foi identificada pela Golden Owl, empresa de tecnologia com sede em Alicante que acompanha a circulação de informações nas redes. A companhia afirma ter encontrado 25 grupos no Facebook associados à mobilização que antecedeu a crise da semana passada. Uma das comunidades reúne aproximadamente 108 mil integrantes e permanece ativa. De acordo com a empresa, a convocação para a nova travessia teria sido publicada em 1º de agosto. A Golden Owl sustenta que o movimento anterior não foi espontâneo, mas resultado de uma campanha organizada por administradores e recrutadores identificáveis. Essa avaliação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades espanholas. A crise começou na última quinta-feira, quando dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira terrestre ou tentaram chegar a Ceuta pelo mar. As estimativas variam de acordo com a fonte: o Ministério do Interior espanhol contabilizou cerca de 50 mil entradas, enquanto o governo local apontou que o número poderia chegar a 60 mil. Outras projeções mencionadas pela imprensa espanhola falam em quase 70 mil pessoas. A maior parte dos migrantes retornou ao Marrocos nas horas seguintes. Cerca de 3 mil a 5 mil pessoas, porém, continuam em Ceuta, entre elas mais de 850 menores desacompanhados. Centros de acolhimento atingiram a capacidade máxima, e centenas de pessoas passaram a dormir nas ruas e nas praias. O episódio também deixou pelo menos 72 mortos no lado espanhol, segundo números divulgados pelas autoridades. Muitas vítimas morreram afogadas durante as tentativas de contornar as barreiras marítimas que separam o território espanhol do litoral marroquino. Além da possibilidade de uma nova travessia, as forças de segurança investigam relatos de que pessoas anteriormente condenadas por crimes ligados ao extremismo teriam entrado em Ceuta durante o fluxo. Segundo o The Sun, citando o jornal espanhol El Español, ao menos 12 pessoas com esse histórico poderiam estar entre os migrantes. A informação não foi confirmada publicamente pelo Ministério do Interior da Espanha. Por isso, as autoridades ainda trabalham para identificar as pessoas que permanecem no enclave e verificar eventuais antecedentes criminais ou mandados de prisão. O governo espanhol atribui a mobilização à combinação entre desinformação nas redes sociais, atuação de redes de tráfico humano e interpretações equivocadas sobre uma decisão recente do Supremo Tribunal. Publicações falsas afirmavam que a fronteira estava aberta e que aqueles que chegassem a Ceuta pelo mar não poderiam ser devolvidos ao Marrocos. A decisão judicial limitou as chamadas devoluções imediatas de migrantes interceptados após alcançarem o território pelo mar. O governo espanhol, porém, afirma que a sentença não impede o controle da fronteira nem garante permanência legal a quem entra irregularmente no país. O primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou que organizações criminosas se aproveitaram da decisão e das dificuldades econômicas enfrentadas por jovens marroquinos para estimular as travessias. O governo do Marrocos também responsabilizou traficantes e mensagens falsas, embora autoridades de Ceuta acusem o país vizinho de ter permitido o avanço da multidão ao reduzir o controle da fronteira.
Ceuta reforça alerta após redes sociais convocarem nova travessia em massa para meados de agosto
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