Banco do Brasil alega que “jamais houve a constituição de consórcio de bancos e tampouco se colocou como representante das demais instituições financeiras" para viabilizar fiança a empréstimo junto ao FGC 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Banco de Brasília (BRB) — Foto: Divulgação O Banco do Brasil enviou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para não participar da audiência que o ministro Luiz Fux marcou para o próximo dia 13. O governo do Distrito Federal (GDF) alega inércia da administração federal e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Conforme o Valor mostrou em junho, o BB vem liderando as discussões com os bancos do grupo S1 (Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, BTG e o próprio BB) sobre a fiança que eles darão para a operação do BRB, que busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o FGC para conter a crise desencadeada pelo envolvimento do banco distrital no escândalo do Banco Master. Entretanto, os bancos privados entendem que as garantias oferecidas pelo governo do DF, que são os repasses aos quais o governo distrital teria direito dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM), seriam inconstitucionais. Apesar de, na prática, liderar as discussões com os outros bancos, em sua petição, o BB diz que “jamais houve a constituição de consórcio de bancos e tampouco o Banco do Brasil se colocou como representante das demais instituições financeiras ou responsável por eventual operação, tanto que sequer integra a relação processual desta ACO [ação civil ordinária]. Além disso, o Banco do Brasil não detém mandato de nenhuma instituição financeira para assumir qualquer obrigação.” O BB aponta ainda na petição que o DF propôs agora que nem haja fiança e os recursos do FPM/FPE sejam vinculados diretamente ao FGC. “Se o formato proposto pelo Distrito Federal não mais prevê a outorga de fiança pelos bancos, desnecessária as suas respectivas participações nas audiências. E na hipótese de ser mantida a participação do Banco do Brasil, deverão também ser intimados para a audiência os demais bancos.” O fato de o BB ter pedido para não participar da audiência e afirmar publicamente que não lidera o consórcio mostra o impasse da situação. Os bancos não conseguem se entender sobre a fiança, o FGC não quer ficar com todo o risco e o GDF e a União jogam a culpa um para o outro sobre a não implementação do acordo. A governadora do DF, Celina Leão (PP), que é candidata à reeleição, convocou uma entrevista coletiva nesta manhã para falar sobre as contas distritais. Ao falar sobre o BRB, disse que, “diferente do que o governo federal está fazendo, com avaliações e falas políticas, nós não vamos cometer esse erro, porque nossa fala aqui sobre o BRB é uma fala técnica”. Na noite de ontem, já sabendo da coletiva e após o pedido do DF ao STF para uma nova audiência, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a jornalistas que é “totalmente descabida” a afirmação de que a União estaria sendo inerte nas negociações sobre o BRB. Segundo ele, a declaração gerou “profunda insatisfação” na equipe do governo federal. “A equipe tem feito inúmeras reuniões para viabilizar, sejam as garantias que o GDF ofereceu, seja para entender quais os trâmites que devem ser feitos com os bancos e com o FGC. [A equipe] ficou profundamente incomodada com uma declaração desse tipo, que é totalmente descabida”. Enquanto isso, o BRB segue vendendo carteira para manter sua liquidez e honrar seus passivos. A questão é que uma hora esses ativos acabam, até porque o banco tem perdido clientes, e as carteiras estão sendo vendidas a qualquer preço, porque a instituição não tem outra alternativa. Assim, se e quando vier a capitalização, a conta para manter o banco sustentável pode ser ainda maior, segundo observadores.