Governo do Distrito Federal tenta obter R$ 6,6 bilhões para capitalizar banco estatal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira que "gerou profunda insatisfação" a alegação do governo do Distrito Federal de haver "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo para capitalizar o BRB. Durigan disse que a declaração é "totalmente descabida" e que o acordo atual firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) é o "único possível". Nesta quarta-feira, o ministro Luiz Fux, do STF, atendeu pedido do governo de Brasilia e marcou uma nova audiência de conciliação, no dia 13 de agosto para tentar destravar o empréstimo bancário de R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília. – Essa informação que vem a princípio do governo do Distrito Federal de que há uma inércia gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que têm trabalhado para tentar viabilizar o acordo. O que parece bastante estranho, quando a gente lembra que o problema tem origem criminosa no governo do DF e no BRB – afirmou Durigan. – É profundamente descabida essa afirmação. O titular da equipe econômica afirmou que estará presente na audiência. Segundo o ministro, o que está pendente para conclusão do acordo são informações e o plano de negócio, que envolve o BRB e o governo do DF, e a avaliação dos bancos sobre se a estratégia é crível. Além disso, ele citou que há uma dúvida sobre se os R$ 6,6 bilhões em crédito serão suficientes para realmente "salvar o BRB". – O acordo que foi estabelecido no Supremo é o único acordo possível. Se hoje há dúvidas sobre as garantias do governo do DF, é preciso que isso seja esclarecido no Supremo, para que as garantias forneçam o amparo necessário para que as instituições financeiras façam o empréstimo ao governo do DF. De outro lado, há uma dúvida de negócio, se o empréstimo de R$ 6 bilhões é suficiente. Essa é uma pergunta que tem que ser respondida pela estratégia de negócios e pelo plano de recuperação do BRB. Nada hoje está parado no governo federal, não há nenhuma inércia do governo federal. O que diz o acordo A primeira audiência convocada por Fux para resolver o problema patrimonial do banco, afetado pelas operações com o Master, foi realizada no final de maio. Na ocasião, foi firmado um acordo entre as partes, mas os principais bancos privados apresentaram resistências a participar do consórcio que daria garantia à operação com o governo do DF, controlador do BRB, junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Estarão presentes na nova audiência a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, o presidente do BRB, Nelson de Souza, além de representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério da Fazenda, Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Banco do Brasil e do Ministério Público Federal. Pelos termos do acordo firmado em maio, o empréstimo ao BRB seria garantido por um sindicato de bancos públicos e privados e teria como contragarantia a parcela do DF do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que somam aproximadamente R$ 1,6 bilhão. A expectativa da direção do BRB era assinar o contrato até 20 de junho. O banco está sendo multado diariamente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelo atraso na publicação do balanço de 2025, previsto para 31 de março. No entanto, interlocutores afirmam que os bancos privados passaram a exigir que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal apresentem as próprias garantias, o que é considerado inviável pelo governo federal, diante do impacto no balanço dos dois bancos públicos. Os bancos também avaliam que o plano de negócios apresentado pelo BRB e pelo controlador, o governo do Distrito Federal, é insuficiente para convencê-los a dar as garantias necessárias para que a contratação do empréstimo pelo FGC. O governo do DF vem sendo cobrado pelo Banco Central para capitalizar o banco e fechar o rombo aberto pelas operações com o Banco Master. Ainda não é público qual é o tamanho do prejuízo. Segundo estimativas divulgadas pelo presidente do banco, Nelson de Souza, chega a R$ 8,8 bilhões.