0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cerveja — Foto: Freepik Diante de uma Geração Z que bebe cada vez menos e do fenômeno das canetas emagrecedoras, os investidores começaram a questionar: o mercado brasileiro de cerveja já bateu no teto e nunca mais vai crescer? Afinal, no ano passado, mesmo com o PIB crescendo mais de 2%, os volumes da bebida caíram quase 5%. Mas o BTG Pactual se debruçou sobre o tema e está convencido de que o copo está mais cheio do que se teme. “Não acreditamos que existam evidências suficientes para concluir que o setor está entrando em um declínio estrutural”, analisou o relatório do banco. Para o BTG, em vez de uma deterioração estrutural, o mercado está vivendo uma contração provocada por uma combinação de três fatores cíclicos: normalização do consumo após o crescimento registrado durante a pandemia, um clima desfavorável para beber cerveja e aumentos de preços acima do habitual. O banco argumenta que o consumo de cerveja está, na verdade, voltando ao padrão pré-pandemia. Isso porque, sob a Covid, o surgimento de novas ocasiões de consumo dentro de casa frustrou expectativas pessimistas, elevou as vendas e anulou a correlação entre o clima e o consumo de cerveja. Fator preço Agora, segundo o BTG, esse comportamento está se normalizando, em um fenômeno que também acontece em países como Chile, Argentina e Colômbia. A sazonalidade tradicional estaria voltando, com a diferença entre verão e inverno pesando mais nas vendas novamente. Além disso, a participação da cerveja no consumo total de bebidas alcoólicas, que bateu a máxima de 71% em 2020, retornou, em 2025, ao nível pré-pandemia (66%). Por fim, o BTG notou que, no ano passado, algo inesperado aconteceu: a Ambev aumentou os preços no segundo trimestre de 2025, justamente o seu período mais fraco. No passado, a Ambev costumava reagir às mudanças de preços, enquanto a Heineken dava o tom para os aumentos anuais. “O comando da Ambev apresentou a medida como uma gestão proativa da receita, antecipando a inflação de custos esperada para o segundo semestre. Acreditamos que esse movimento foi ainda mais acentuado quando a Heineken decidiu acompanhá-lo, elevando os preços em julho, apenas alguns meses depois da Ambev, e em um período sazonalmente fraco do ponto de vista da demanda. Isso, combinado com as condições climáticas desfavoráveis e o retorno à sazonalidade normal, pode explicar uma elasticidade-preço da demanda acima do normal”, concluiu.
O mercado brasileiro de cerveja nunca mais vai crescer? O veredito do BTG
O mercado brasileiro de cerveja nunca mais vai crescer? O veredito do BTG











