Comando da cervejaria disse que “no Brasil, a categoria continua sob pressão”, mas as "tendências melhoraram no fim do segundo trimestre”; foco será ajustar as estratégias de canais, portfólio e preço 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Heineken demonstrou insatisfação com seus números nas Américas, em meio a um consumidor menos disposto a beber, fatores econômicos e um clima desfavorável. O diretor financeiro da gigante de bebidas, Harold van den Broek, disse que no Brasil o mercado continua sob pressão. Entretanto, o executivo sinalizou melhorias nos dados no fim do segundo trimestre e apontou otimismo com o negócio nesta segunda metade do ano. “Não estamos satisfeitos com nosso desempenho nas Américas. Mas não estamos estruturalmente preocupados. De acordo com nossos dados, o consumo nos três maiores mercados foi negativo, com o sentimento fraco do consumidor e questões macroeconômicas”, disse, em teleconferência com analistas na manhã desta quarta-feira (5). Essa insatisfação, disse Broek, seria compartilhada por Alex Carreteiro, o presidente regional da Heineken para as Américas, e por Mauricio Giamellaro, CEO Brasil da cervejaria. O executivo reconheceu a perda de participação nos principais mercados das Américas, mas disse que a Heineken voltou ao crescimento da fatia diante da execução das estratégias de retomada do negócio. “No Brasil, a categoria continua sob pressão”, disse. O executivo apontou que a indústria por aqui caiu 3,6% no primeiro semestre. “Mas as tendências melhoraram no fim do segundo trimestre”, disse, ponderando uma receita positiva com a recomposição de preço. O foco na região, apontou, é ajustar as estratégias de canais, portfólio e preço. “Vamos focar na execução e garantir crescimento. Mas são mercados grandes e complexos e isso leva tempo”, disse. O executivo apontou que, em paralelo, a estratégia de inovação tem ajudado a empresa. Segundo Broek, a Heineken foi surpreendida com a boa recepção dos consumidores para a Heineken Ultimate, novo produto com menos calorias e álcool lançado em maio. “Os sinais iniciais são fantásticos e está nos primeiros dias. Estamos vendo importantes contribuições vindas da inovação”, disse. A disputa no segmento premium se mantém. Segundo o executivo, a Amstel no semestre continuou a apresentar um desempenho considerado positivo, com a Amstel Ultra (parte da categoria ultra light, que possui menos calorias, menos carboidratos e teor alcoólico) mais que dobrando o volume, assumindo a liderança da categoria no Brasil. O executivo foi o principal porta-voz na teleconferência na medida em que a empresa aguarda a chegada do novo CEO a partir de primeiro de outubro. Após meses de espera por uma definição, a Heineken anunciou, em 23 de junho, o brasileiro Rafael Oliveira como novo CEO global do grupo. À frente de uma das maiores cervejarias do mundo, o executivo assumirá o comando em momento de desaceleração do consumo de bebidas alcoólicas entre os mais jovens e de maior pressão competitiva no Brasil, mercado em que a companhia perdeu espaço após mais de dez anos de liderança no segmento premium. O mercado tem acompanhado de perto as movimentações da Heineken. O então CEO global da gigante de bebidas, Dolf van den Brink, comunicou, em janeiro, a decisão de sair do cargo a partir de 31 de maio. O grupo ficou por meses sem uma definição para o topo de sua liderança. A saída Brink, após seis anos, teve também como pano de fundo os baixos volumes vendidos na América Latina, sobretudo no Brasil. Em fevereiro, a Heineken anunciou um amplo plano de reestruturação, que teria o objetivo de cortar entre 5 mil e 6 mil postos de trabalho em dois anos. O corte abraçaria 7% da folha de pagamentos da gigante de bebidas. O grupo não deu detalhes sobre o processo de desligamento. O corte faz parte de um plano batizado de EverGreen 2030, que almeja uma economia entre 400 milhões de euros e 500 milhões de euros ao ano. No balanço, a empresa comunicou alguns ganhos da iniciativa. Entre as medidas está a simplificação operacional. Durante o primeiro semestre do ano, o grupo integrou nove empresas operacionais em quatro MMOs (Organizações Multimercado) na Europa, simplificando as operações e ampliando as capacidades em todos os mercados. — Foto: Silvia Zamboni/Valor