No caso brasileiro, a medida ganhou como principal justificativa a demora em aprovar a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro do G7 na França — Foto: Mandel Ngan/AFP Além de representar um gesto sem precedentes na relação bilateral entre os países, a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, é incomum por se tratar de um instrumento pouco usado pelos americanos. Segundo especialistas consultados pelo GLOBO, há diversos casos de expulsão de diplomatas, mas quase nunca de um país “amigo”, com status de embaixador e como forma de acelerar anseios de Washington. Neste mandato de Donald Trump, um episódio que evidenciou a nova postura do Departamento de Estado foi o da África do Sul. Logo no início da gestão, o embaixador Ebrahim Rasool precisou deixar os Estados Unidos após a extrema direita americana divulgar teorias conspiratórias sobre ele. O diplomata foi acusado de perseguir a minoria branca do país — algo alimentado pelo empresário Elon Musk, homem mais rico do mundo, que é nascido na nação africana e integrava a administração Trump naquele momento. Ali, portanto, a decisão dos EUA foi até mais radical, mas não tinha como embasamento uma retaliação. No caso brasileiro, a medida ganhou como principal justificativa a demora em aprovar a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil. Quem também passou por uma crise que contou com revogação de visto e expulsão do embaixador foi a Venezuela, em 2008, durante atritos entre os governos Hugo Chávez e George W. Bush. Depois de a mais alta figura da diplomacia americana ter de deixar Caracas, os EUA cassaram a autorização de permanência do embaixador venezuelano em Washington. — É muito fora da curva por serem dois países amigos, duas democracias. — afirma Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política e especialista em política americana. — A administração Trump não olha política de Estado, e sim de governo. Caso parecido com o venezuelano, de reciprocidade, aconteceu com o Equador. Partiu dos sul-americanos o ato de expulsar em 2011 a representante americana, citada no “WikiLeaks”. Os EUA responderam na mesma moeda. África do Sul, Venezuela e Equador, contudo, têm relações menos sólidas com Washington que o Brasil. Outro ponto citado pelos EUA para revogar o visto de Viotti foi o fato de funcionários da diplomacia americana não terem sido autorizados a “fiscalizar” a eleição brasileira. Ligados ao trumpismo, eles foram vistos pelo Brasil como enviados para descredibilizar o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas. Ao longo da História, há diversos casos de expulsão de diplomatas por parte dos EUA, mas poucos que incluem embaixadores. Isso aconteceu várias vezes com russos ao longo deste século ou com soviéticos durante a Guerra Fria. Governos como os de Ronald Reagan, George W. Bush, Barack Obama e o próprio Trump mandaram embora dezenas deles por diferentes motivos, como espionagem e tentativas de interferir nas eleições americanas. Também na linha de tensões com um “inimigo”, os EUA determinaram em 2020, ano final do primeiro mandato de Trump, o fechamento do consulado da China em Houston, no Texas. A motivação era uma acusação de ataque hacker. Diplomatas chineses precisaram sair do país, e Pequim classificou o movimento como uma “escalada sem precedentes” no atrito bilateral. Casos emblemáticos África do Sul: No ano passado, embaixador do país africano foi alvo de teorias conspiratórias e acabou expulso. Elon Musk endossou narrativa de perseguição a uma minoria branca.Venezuela: País teve embaixador expulso em 2008 como retaliação do governo George W. Bush depois que Hugo Chávez também expulsou o representante dos EUA de Caracas.Equador: Assim como no caso venezuelano, partiu dos equatorianos o ato de mandar embora a representante dos Estados Unidos, citada no WikiLeaks. Washington retaliou na mesma moeda.
Rara, medida dos EUA direcionada a embaixadora brasileira é mais frequente contra países inimigos
No caso brasileiro, a medida ganhou como principal justificativa a demora em aprovar a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil.















