Atendendo a um chamado do presidente Lula, lideranças indígenas e de organizações do Tapajós se deslocaram até Brasília para reunião no último dia 23 com parte do primeiro escalão do Governo. A iniciativa, louvável, foi escutar caminhos para o enfrentamento de mais uma estiagem severa decorrente da previsão do El Niño.
O tema que dominou as quase 4 horas de conversa foi mais uma tentativa do governo em atender a pressão do agronegócio para dragar o rio Tapajós, depois do recuo no início do ano diante da resistência indígena que ocupou o Porto da Cargill em Santarém por 33 dias.
A justificativa agora foi a emergência do El Niño, em mais um projeto de intervenção nos mesmos sete pontos críticos do rio, sem estudos e consultas às comunidades locais.
Foi solicitada a dispensa de licenciamento ambiental sob argumento de ser dragagem "de manutenção", aproveitando brechas na lei 15.190/2025, aquela também chamada de "Lei da Devastação".
Representantes dos movimentos do Tapajós na reunião contestaram os argumentos apresentados. Embora com adequações ao projeto anterior, os volumes planejados para dragagem superam a sedimentação anual, o que comprova o aprofundamento do rio.







