O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na quinta-feira (23), no Palácio do Planalto, um grupo de lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais que pede a suspensão da dragagem (retirada de sedimentos) emergencial prevista para ocorrer no rio Tapajós, no Pará.
Participaram ministros do Meio Ambiente, Fazenda, Povos Indígenas, Portos e Aeroportos, além da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, governo do Pará e outros órgãos federais. As lideranças indígenas cobram que a intervenção passe pelo rito tradicional de licenciamento ambiental e por consulta prévia às comunidades potencialmente afetadas.
Como revelou a Folha, a estimativa do governo é de que, se nada for feito, a navegação poderá ficar interrompida entre três e quatro meses, colocando em risco o transporte de 3,1 milhões a 5 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho.
O prejuízo estimado para o agronegócio varia entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões, com aumento do frete de R$ 150 a R$ 250 por tonelada.
O governo classifica a dragagem como "manutenção" e argumenta que não precisa de autorização do Ibama com base na Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada em agosto sob críticas ambientalistas. A nova regra autoriza automaticamente intervenções em rios navegáveis para manutenção ou melhoramento da infraestrutura, incluindo dragagens.







