O governo Lula (PT) prepara uma ação emergencial de retirada de sedimentos no rio Tapajós, no Pará, para tentar evitar que uma seca severa comprometa um dos principais corredores de exportação de grãos do país.

A urgência das medidas, segundo uma pessoa do alto escalão do governo ouvida pela Folha, está diretamente associada aos efeitos do fenômeno El Niño em 2026 e 2027.

Uma reunião deve ocorrer nos próximos dias na Presidência da República, para discutir os riscos à navegabilidade da hidrovia, impactos econômicos e reflexos que uma eventual paralisação do transporte poderia ter.

A estimativa do governo é de que, se nada for feito, a navegação poderá ficar interrompida entre três e quatro meses, colocando em risco o transporte de 3,1 milhões a 5 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho.

O prejuízo estimado para a cadeia do agronegócio varia entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões, devido à interrupção do fluxo logístico e ao aumento do custo do frete, que foi calculado em um adicional entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada.