Eleições 2026
As lideranças indígenas Auricélia Arapiun e Alessandra Korap Munduruku entraram no Palácio do Planalto na quinta-feira 23 para impedir que o Rio Tapajós fosse transformado de vez em um corredor de escoamento de soja e milho. Quase quatro horas depois, saíram anunciando que o governo havia cedido. “Nós não viemos negociar. Nós viemos garantir o direito do nosso rio viver”, disse Auricélia.
Alessandra é pré-candidata a deputada federal pelo PT; Auricélia, a deputada estadual pelo PSOL, ambas no Pará. As duas concorrem por partidos da base do governo Lula, mas foram ao Planalto dizer ao presidente que eram contra uma obra conduzida pelo próprio governo. Apoio não exige silêncio. Ainda bem, pois a boa política depende da dissonância.
O compromisso de Lula ainda não está no papel. Segundo as lideranças, o presidente afirmou que a dragagem não avançaria. Foi a segunda vez em cinco meses que a resistência indígena obrigou o governo a recuar de um projeto desenhado para atender à logística da soja produzida no norte de Mato Grosso.
A desconfiança permanece por um motivo. O recuo anterior parecia definitivo, mas não impediu que, quatro meses depois, a dragagem reaparecesse por outra rota. O decreto caiu, mas o projeto não.






