Celso Lungaretti tornou-se guerrilheiro aos 18 anos de idade. Vivia o turbilhão das passeatas estudantis contra o regime militar na cidade de São Paulo quando organizou uma base de estudantes secundaristas dispostos a aderir à resistência armada em 1969, ano seguinte à publicação do AI-5 (Ato Institucional nº 5, o mais duro da ditadura).

Em janeiro e fevereiro de 1970, estava no grupo de militantes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que treinava técnicas de guerrilha com Carlos Lamarca no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo. Decidiu deixar o grupo após saber da morte de um amigo de infância e companheiro da VPR.

Foi preso em abril daquele ano, levado à sede do DOI-Codi do Rio de Janeiro e submetido a sessões de tortura que incluíam espancamentos e choques elétricos. As agressões que sofreu durante quase um ano na prisão deixariam marcas em seu corpo (teve um tímpano perfurado, gerando deficiência auditiva até o fim da vida) e sequelas emocionais irreparáveis.

Lungaretti foi acusado de ser o responsável pelas informações que levaram o Exército à descoberta de um acampamento da VPR na região, e a uma operação que levou à prisão de quatro militantes —Lamarca e outros conseguiram escapar ao cerco militar após mais de 40 dias de operação. O tempo mostraria que era falsa a versão que o colocava como delator do acampamento.