A advogada Eny Raimundo Moreira trabalhava no escritório do consagrado jurista Sobral Pinto no Rio de Janeiro e, a partir de 1978, passou a presidir o Comitê Brasileiro pela Anistia, uma iniciativa de familiares de presos políticos.
Em meados do ano seguinte, a advogada mineira de 33 anos não tirava da cabeça uma hipótese que lhe soava como pesadelo: e se os militares queimarem todos os processos judiciais de 1964 em diante? E se sumirem com os documentos que comprovariam a ocorrência de assassinatos e torturas, além da omissão do Judiciário?
Eny tinha ouvido Sobral Pinto, meio século mais velho que ela, contar que os arquivos do Estado Novo tinham sido incinerados nas semanas finais da ditadura de Getúlio Vargas.
Uma portaria publicada naquela época permitia que advogados retirassem do Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília, os processos em que seus clientes eram investigados, com a condição de que fossem devolvidos no dia seguinte.
Ciente de que era preciso iniciar a reprodução desses documentos o mais rápido possível, Eny convenceu o amigo Luiz Eduardo Greenhalgh, outro advogado atuante no combate à ditadura, a se juntar a ela nesta causa de preservação da memória.








