Vem aí um grande livro. Será lançada no dia 26 uma reedição de "Advocacia da Liberdade - A Defesa nos Processos Políticos", do criminalista Heleno Fragoso (1926-1985). Ele foi um destemido defensor de presos políticos, preso num arrastão intimidatório em 1970. Advogado acima de tudo, Fragoso contou alguns de seus casos. Defendia presos num regime que não tinha habeas corpus e casos políticos eram julgados em tribunais militares.

Passados quase 50 anos, é emblemática sua defesa dos dirigentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos de São Bernardo (Lula) e Santo André (Benedito Marcílio) e outros 11 sindicalistas pela deflagração da greve de 1980. Ela durou 41 dias e Lula passou 31 dias na cadeia. Fragoso entrou nessa liça em sua reta final.

Julgados no ano seguinte, quatro dirigentes foram condenados a 3 anos e 6 meses, com direito a recorrer em liberdade. O primeiro julgamento foi anulado no Superior Tribunal Militar e, em 1982, veio outro. Fragoso e os demais advogados sustentavam que a Justiça Militar era incompetente para julgar grevistas. Prevaleceram.

Heleno defende Niomar

O julgamento dos sindicalistas fez história, mas a "Advocacia da Liberdade" rememora dois casos que medem a onipotência de uma ditadura. Fragoso defendeu o historiador Caio Prado Júnior (1907-1990) e Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916-2003), dona do falecido matutino Correio da Manhã.