Militante do MR-8, Ziléa Resnik sofreu torturas físicas, psicológicas e sexuais e foi obrigada a assistir às agressões contra o então companheiro. A indenização por danos morais terá juros contados desde 1970 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tropas militares avançam em direção ao Rio de Janeiro em 1º de abril de 1964 — Foto: Arquivo O Globo A União foi condenada pela 7ª Turma Especializada do TRF-2 a pagar R$ 100 mil por danos morais à ex-presa política Ziléa Resnik, militante do MR-8, pelas torturas que sofreu durante a ditadura militar. A indenização será corrigida com juros contados desde 1970. Em 1968, Ziléa era funcionária administrativa e estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF). Com o agravamento da repressão, foi obrigada a abandonar os estudos e a carreira, deixar sua casa e viver na clandestinidade. Após ser presa, foi levada à Polícia Federal, onde sofreu ameaças, assédio moral, humilhações e outras formas de tortura. Em seguida, foi transferida para uma unidade da Marinha, na Praça XV, no Centro do Rio, onde presenciou sessões de tortura contra seu então companheiro, Luís Carlos. Depois, foi enviada para a Ilha das Flores, tornando-se a primeira mulher presa no local. Ali, sofreu torturas físicas, psicológicas e sexuais. Os episódios foram reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade. Ziléa também respondeu a processo na Justiça Militar e foi condenada a um ano e dez meses de reclusão. Em 1978, ao ser libertada, permaneceu apenas sete dias em liberdade antes de ser presa novamente, sem justificativa, e levada ao Depósito de Presas de São Judas Tadeu, no Rio, onde ficou por cerca de um mês. Em 1994, foi reconhecida como anistiada política, reintegrada aos quadros da UFF e indenizada pelos danos materiais decorrentes do período em que permaneceu afastada de suas atividades profissionais. Causa ganha pelo escritório do advogado João Tancredo.