O número de deputados que tentarão permanecer na Câmara nunca foi tão alto. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que 87,3% dos atuais ocupantes do cargo disputarão a reeleição, um recorde da série histórica.
A marca coincide com a explosão das emendas parlamentares, que multiplicou o poder orçamentário dos congressistas e ampliou de forma inédita a vantagem de quem já exerce mandato.
Há muito tempo as emendas deixaram de ser um instrumento acessório do Orçamento. Transformaram-se em um poderoso mecanismo de influência política e eleitoral. Segundo o Diap, cada deputado passou a dispor de cerca de R$ 50 milhões anuais, ante algo entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões poucos anos atrás.
A vantagem de quem já exerce o mandato tornou-se incomparavelmente maior, e seu efeito aparece nas bases eleitorais. Até o início de julho, as prefeituras haviam recebido R$ 26,6 bilhões em emendas, cerca de 20% a mais do que no mesmo período do ano eleitoral de 2022.
Em muitos municípios, essas verbas representam parcela expressiva do investimento público, ampliando a capacidade dos parlamentares de influenciar prefeitos, lideranças locais e, por consequência, o próprio eleitorado.








