Estimativa é do Diap, com base em pesquisa que mostra que 448 dos 513 deputados federais em exercício são pré-candidatos à reeleição – 87,3% da Casa e o maior percentual da série histórica Plenário da Câmara no debate sobre a PEC que acaba com a escala 6x1 — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados O amplo acesso às emendas parlamentares, aos recursos do fundo eleitoral e regras mais restritivas para a formação de chapas devem contribuir para manter baixa a renovação da Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, segundo um levantamento preliminar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A pesquisa mostra que 448 dos 513 deputados federais em exercício são pré-candidatos à reeleição, o equivalente a 87,3% da composição da Casa, o maior percentual da série histórica da entidade. O índice supera o registrado nas eleições de 2022 e indica que apenas 65 deputados decidiram disputar outros cargos, como Senado, governos estaduais, assembleias legislativas, vice-governadores ou a vice-Presidência da República, ou não concorrerão a um novo mandato. O levantamento foi elaborado com base em pesquisas, consultas a portais locais, contatos com parlamentares e dirigentes partidários, além da análise dos arranjos políticos nos Estados. O estudo traça um panorama preliminar da disputa pela renovação do Congresso Nacional, que ainda poderá sofrer alterações até as convenções partidárias. No Senado Federal, o cenário é diferente. Como a Casa renova sua composição de forma alternada, um terço das cadeiras em uma eleição e dois terços na seguinte, em 2026, estarão em disputa 54 das 81 vagas. Dos 54 senadores que encerram seus mandatos, 34 sinalizam intenção de disputar a reeleição, o que representa 63% das cadeiras em disputa. Os outros 20 pretendem concorrer a outros cargos. Caso parte dos parlamentares que hoje pretendem disputar o Senado ou que ainda estão indefinidos reveja seus planos, o número de candidatos à reeleição na Câmara poderá chegar a 495. Segundo o Diap, há cinco deputados com situação indefinida e outros 42 que hoje planejam disputar uma vaga no Senado. A entidade atribui o cenário a três fatores principais. O primeiro é a redução do número de candidaturas competitivas à Câmara, consequência do limite legal de candidatos por partido ou federação e da obrigatoriedade de reservar ao menos 30% das vagas para candidaturas femininas. O segundo é o endurecimento da cláusula de barreira, que em 2026 exigirá dos partidos desempenho maior para ter acesso aos fundos partidário e eleitoral, incentivando fusões, federações e a priorização de candidatos que já exercem mandato. Já o terceiro é a vantagem competitiva conferida aos atuais parlamentares pelo acesso aos recursos do fundo eleitoral e às emendas parlamentares individuais, que ampliam sua capacidade de articulação política e eleitoral.