Em entrevista ao Estadão, o simpático economista José Roberto Mendonça de Barros abordou o tema do ajuste fiscal. Respeitosamente, devo assinalar as dúvidas que me assaltam quando o debate entre economistas da corrente conservadora repete o mantra do risco fiscal. Se me permitem, caros leitores de nossa ­CartaCapital, vou enfiar a colher da “heterodoxia” keynesiana na sopa das concepções que circulam nos arraiais da “macroeconomia do equilíbrio”.

Na visão dos catastrofistas, o risco fiscal está associado a uma trajetória “insustentável” da dívida pública. Insustentável, porque essa vileza vai, no futuro, mortificar os mais jovens e os que ainda não vieram à luz, com um calote devastador na riqueza financeira que circula pelos balanços de bancos, fundos, gestoras de ativos e seus clientes do dinheirão e do dinheirinho. Não são poucos os que antecipam um calote na dívida do Estado. Esse calote seria devastador para a riqueza financeira privada, aquela que frequenta os balanços de bancos, fundos, gestoras de ativos e seus clientes do dinheirão e do dinheirinho.

Na visão monetarista-conservadora, admite-se que não existem fatores de perturbação monetária oriundos das avaliações privadas. Implicitamente, supõe que as decisões dos centros privados são sempre orientadas pela racionalidade dos agentes que habitam o mundo dos negócios e das finanças. Essas decisões gerariam resultados que corresponderiam ao que foi antecipado, vale dizer, as expectativas seriam sempre cumpridas e não haveria incerteza. Desta forma, qualquer desequilíbrio monetário decorreria do descumprimento, por parte do Estado, das regras de gestão.