Metodologia de cálculo varia, mas conclusão é unânime: agravamento da crise fiscal é preocupante 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula durante lançamento do programa Move Brasil — Foto: Ricardo Stuckert/PR À medida que se avoluma a lista de “bondades” eleitoreiras do governo, os economistas tentam quantificar seu efeito. Independentemente da metodologia adotada, uma constatação tem sido unânime: o agravamento da crise fiscal é preocupante. A estimativa mais recente vem de um estudo do economista Alexandre Manoel, da consultoria Global Intelligence and Analytics. Do início de abril ao fim de junho, as “bondades” concedidas por meio de linhas de crédito subsidiadas ou pagamentos que deixarão pendências para o futuro somaram 4,5% do PIB, ou R$ 150 bilhões. No primeiro trimestre, o total era menos da metade disso, ou 2,19%. Comparada ao ciclo eleitoral de 2022, a situação sofreu deterioração de 5,3 pontos percentuais. O governo se justifica alegando que, no primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o déficit primário foi da ordem de 2,4% do PIB, enquanto a previsão para este ano está abaixo de 1%. Mas essa explicação é pouco convincente. Primeiro, porque a promessa logo no início do mandato era zerar o déficit — e lá se vão quatro anos sem que ela seja cumprida. Segundo, porque o governo tem sido pródigo em medidas que não entram nos cálculos das metas fiscais. Chamadas de parafiscais, elas ficam fora da conta, mas continuam a alimentar a dívida pública, que não para de crescer. Hoje nenhum economista leva mais a sério o diagnóstico fiscal baseado apenas no resultado primário. Bancos e consultorias fazem seus próprios cálculos para se defender dos dribles do governo. É evidente que as inúmeras linhas de crédito subsidiado ampliadas ou lançadas pelo Planalto provocam distorções na economia. Elas podem até deixar satisfeitos os beneficiados — agricultores, motoristas de aplicativos, ônibus e caminhões, micro e pequenos empresários, cidadãos inadimplentes, quem faz reforma, quem quer comprar a casa própria, exportadores, empresas do setor aéreo… Mas cada empréstimo subsidiado traz prejuízo ao Tesouro, que paga taxas maiores para captar recursos e raramente vê o dinheiro de volta. Quanto maior a dívida pública, pior o ambiente para a economia crescer de forma sustentada. É certo que Lula não é o primeiro presidente a abrir as torneiras da gastança em ano eleitoral. Mas os precedentes não o redimem. Na campanha de 2022, os petistas criticaram o descontrole de gastos promovido por Jair Bolsonaro para tentar se reeleger. Lula assumiu com um discurso de responsabilidade fiscal, criou um novo arcabouço para acomodar mais despesas e nem assim foi capaz de cumprir sua promessa de zerar o déficit para controlar o endividamento público. Agora, em seu afã eleitoreiro, deixará uma herança funesta ao próximo governo.
Em seu afã de ‘bondades’ eleitoreiras, governo deixará herança funesta
Metodologia de cálculo varia, mas conclusão é unânime: agravamento da crise fiscal é preocupante







