Balcão de 14 lugares é comandado por Agustín Branãs, mestre das carnes, e Pablo Quiven, que chegou da Patagônia para dar um toque autoral às receitas; cinco garfinhos (excelente) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rufino Terraza recebe nota máxima — Foto: Reprodução/Redes sociais O formato não chega a ser inédito: um balcão onde sentam 14 pessoas voltadas para cozinheiros, braseiros, carvão, toras, fornos, cortes, câmaras de maturação, temperos... Um janelão e um espelho trazem o Leblon para dentro, e o Cristo aparece. Tudo certo. A proposta dali é que inova: o Rufino Terraza, no quinto andar de um pequeno prédio (só não chamo de acanhado porque no térreo fica o Rufino Parrilla, que não passa despercebido), funciona como um omakase, só que de carnes. Ou seja, como no menu degustação japonês, os pratos são escolhidos pelo chef. Uma sequência de porções pequenas de cortes de carnes, de raças, de marmoreios, de embutidos, aproveitamento máximo do animal. Rola de tudo no menu de 14 tempos. Exemplo? Macaron de cinzas vegetais, castanha-de-caju e pimentões assados. Há trocas de pratos e de facas também, artesanais e exclusivas. Da caixa, você elege os seus fios diletos, com cabos em couro de tons variados. O Rufino Terraza (que conta com um pequeno elevador) é dos donos do japa San Omakase, ou seja, inspiração por tabelinha. E um dos sócios, Martin Vidal, é filho de argentinos. Bola contada: carnes e cortes são da terra de Milei, que anda meio chamuscado por aqui. Mas não é o caso dos anchos, vacio, morcillas, morillas e outras cositas más que passam pelo balcão capitaneado por dois argentinos que se revezam: Agustín Branãs, mestre das carnes, e Pablo Quiven, que chegou da Patagônia para dar um toque autoral às receitas. É um show de camarote. Rufino Terraza recebe nota máxima — Foto: Reprodução/Redes sociais O grupo se acomoda e é dada a largada: tartare de picanha com carvão ativado, gema curada, gel de pepino e melão. A morilla recheada com patê de pistache vem depois, seguida de uma inimaginável morcilla com chocolate branco e chutney (vale, como dizem os espanhóis). E vamos às vias de fato: bife de chorizo maturado por 30 dias envolto na manteiga de ervas, antes de entrar na parrilla. Entranha dos pampas argentinos com aspargos e espuma de cebola e ceja, um corte do ojo de bife que fica marinando com mirtilo, alho e cebola por dois dias. Gosto inédito. Vai para a parrilla e chega com chimichurri de ervas frescas. O baile segue no quinto andar: no recipiente em madeira, um naco largo e brilhoso de wagyu argentino, criação em Entre Rios, de marmoreio perfeito. Depois, fechando, uma costela bovina (o garçom me avisa que são cinco ossos centrais: confere) que passa por um defumador por até seis horas antes de ir para a brasa dourar. Desmancha. Para comer com o seu próprio molho reduzido e purê de alho negro com balsâmico. Adianto que todos os pratos, de um jeito e outro, têm algo adocicado. A rodada não sai barata: R$ 500 — mais R$ 390 se for com harmonização. Pulei alguns momentos aqui no texto, mas não no almoço, do qual saí leve e disposta. E fui nos doces e nos vinhos, um mostruário do terroir argentino. À mesa, reina a paz com os argentinos. É inegável: mandam bem. Rufino Terraza: cinco garfinhos (excelente) Rua Tubira 43, Leblon. Qua a sáb, das 20h às 23h. Apenas com reserva: 3094-5040.