A Brasil Paralelo lançou um documentário para apresentar quem são os 47,4 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos, segundo o Censo de 2022. A produção faz sentido para uma das principais plataformas audiovisuais da direita cujo repertório é baseado em um catolicismo conservador e que aproveita o ano eleitoral para ampliar sua base de assinantes. O resultado é um retrato dos evangélicos pelo olhar de uma parte da direita, mais atento à mobilização política do que à vida de fé.

Nos cerca de 40 minutos iniciais, o Brasil Evangélico apresenta um panorama informativo da Reforma Protestante, da chegada dessas ideias ao país e das ondas do pentecostalismo. Há simplificações, mas também boas explicações sobre pertencimento e a capilaridade das igrejas.

Depois, o documentário passa para uma salada de bancada evangélica, aborto, progressismo, Bolsonaro e STF (Supremo Tribunal Federal). Assim, o percurso histórico não leva a uma investigação sobre como as diferenças teológicas moldam a vida dos evangélicos, mas diretamente a Brasília.Mesmo dentro da direita evangélica, o filme registra divergências. O pastor e youtuber Yago Martins acusa Bolsonaro de usar a igreja em benefício próprio, enquanto o professor Davi Lago alerta que subordinar o púlpito a uma ideologia distorce o Evangelho. No outro extremo, o pastor Jack declara não ter problema com uma teocracia. Mas a variedade vai apenas do conservador crítico ao bolsonarista roxo. Ficaram de fora os evangélicos de esquerda e aqueles que rejeitam a identificação partidária.