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Uma pesquisa Datafolha apontou que os evangélicos brasileiros estão mais à direita que outros segmentos religiosos e que essa inclinação aparece com mais força no eixo comportamental do que no econômico. Segundo o levantamento, 52% dos evangélicos se identificam com posições de direita ou centro-direita. Entre os católicos, esse número é de 43%, em um quadro mais equilibrado com o campo da esquerda e da centro-esquerda.

A conclusão mais fácil é a de que “os evangélicos são de direita”. É também a mais pobre. Serve para post indignado de quem nunca precisou entender de perto um campo religioso amplo, desigual, contraditório e atravessado por disputas internas. O que a pesquisa ajuda a enxergar é mais sofisticado. Nas últimas décadas, os evangélicos se tornaram um dos terrenos mais férteis para a tradução religiosa da direita comportamental, que aprendeu a falar essa língua com mais propriedade que a esquerda.

O evangelicalismo brasileiro, sobretudo em sua matriz pentecostal, fala de reorganização da vida, oferecendo linguagem para nomear o caos doméstico, a violência, o vício, a humilhação, a dívida, o fracasso, a doença, a culpa, a esperança. A direita percebeu que essa linguagem podia ser convertida em política. Não precisava convencer o fiel, primeiro, de uma teoria econômica ou de um programa de governo. Bastava traduzir disputas públicas em ameaças morais reconhecíveis como a “escola que corrompe”, “o Estado que invade a família”, “a esquerda que persegue cristãos”. A política deixou de parecer política e passou a parecer defesa da casa.