O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, sente-se um deslocado entre líderes evangélicos. "Hoje eu faço parte do mal, sou visto como um desviado."
Faz parte da minoria progressista no segmento. A bolsonarização dos púlpitos o empurrou para a periferia evangélica, diz. Não deixa, contudo, "de bater uma estaca", deixar claro de onde fala: estreou em junho seu programa de YouTube "Fé na sua Fé", entrevistando a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e lança pela Companhia das Letras "Uma Ideia Elegante de Deus", em que crava: "O Brasil está cada vez mais evangélico, porém, ao mesmo tempo, cada vez mais distante do Evangelho".
À Folha Kivitz diz que a ascensão evangélica no país promoveu "trânsito religioso, mas não revolução ética", e vê o fundamentalismo como erva daninha. Ao dividir a sociedade entre o bem e o mal, esses conservadores interrompem o diálogo. "Quando você enxerga o outro como um ser humano das trevas, você converte ou elimina. Com o mal você não conversa."
Não que a esquerda esteja se saindo bem em construir pontes. "Ela não compreende a legitimidade da experiência religiosa e, por isso, é preconceituosa."
Houve uma polêmica nas igrejas sobre mudar o horário do culto por causa da Copa do Mundo, se isso é preterir Deus.










