Brasil tem mais evangélicos? E qual é o impacto?No ‘Chama o Nery’ desta semana, colunista do ‘Estadão’ parte de debate surgido na Copa para analisar transformações relacionadas à fé. Crédito: Coluna: Pedro Fernando Nery; Cinegrafista: Isabella Almada; Edição: Jefferson PerlebergA coluna mais polêmica que já escrevi no Estadão foi sobre evangélicos. Foi em 2020 e se chamava “Crentefobia”. Muita gente elogiou o texto, mas principalmente em mensagens privadas. Muita gente odiou, até com demonstrações públicas de intolerância. Alguns mandaram relatos de discriminação religiosa explícita, principalmente na academia e no jornalismo.PUBLICIDADEComo a vida está muito tranquila, chegou a hora de fazer mais uma.“Crentefobia” criticava certa elite que olhava de cima os evangélicos, o que me parecia errado, no mínimo, porque eram um grupo demográfico em crescimento e coeso do ponto de vista eleitoral. Não parece nada revolucionária em 2026.Hoje vamos de “Crentenomics” para explorar a seguinte tese: a de que o crescimento dos evangélicos no Brasil será positivo para o crescimento da economia. Suas ideias são menos redistributivas e mais compatíveis com o progresso material?Mais de 60% dos evangélicos são negros no país, percentual já maior do que nas religiões de matriz africana Foto: Werther Santana/EstadãoNa ressaca da eliminação do Brasil na Copa, a internet gringa tem discutido se a seleção piorou porque os jogadores são agora, em sua maioria, evangélicos. O argumento é o de que o foco no esforço individual, típico do protestantismo, teria tirado o foco no coletivo, camaradagem que seria base das boas campanhas brasileiras.PublicidadeLeia tambémO Brasil está se tornando mais evangélico? E qual é o impacto dessa transformação?Entre o álbum de figurinhas da Copa e o das Guerreiras do K-Pop há uma diferença importanteComo os brasileiros escolhem os nomes de seus filhos? A economia ajuda a explicarOu, ainda, de que no passado os jogadores brasileiros eram menos certinhos, inclusive fora de campo, e de que a ginga, o drible, o joga bonito estariam sendo esterilizados pela cultura evangélica.Já a discussão sobre religião e economia não é nova. Vide Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Nessa lógica, os EUA seriam um país moldado pela disciplina e poupança por causa dessa ética, que resiste mesmo após a religião perder sua importância histórica.Em um vídeo para as redes, mostrei que os países nórdicos têm mais protestantes do que o Brasil, e alguns espectadores correram para diferenciar, quase dizendo que existe um protestantismo bom e um protestantismo ruim, e o segundo seria dominante entre nós.O neopentecostalismo seria apenas uma versão vulgar e nociva das ideias protestantes, e eu teria cuidado de fazer afirmações tão negativas para a religião com maior participação negra no Brasil. Mais de 60% dos evangélicos são negros no país, percentual já maior do que nas religiões de matriz africana.Eu teria interesse em entender a relação entre evangélicos e os microempreendedores individuais (MEI), entre a abertura de igrejas e a redução dos assassinatos, se eles vão segurar a nossa taxa de natalidade. Quais as implicações do ProPre – esse protestantismo preto que segue emergindo no Brasil?Publicidade
Opinião | ‘Crentenomics’: crescimento dos evangélicos no Brasil será positivo para o crescimento da economia?
Ideias dos evangélicos são menos redistributivas e mais compatíveis com o progresso material? Quais as implicações do ProPre – esse protestantismo preto que segue emergindo no Brasil?










