A decisão de transmitir jogos da Copa do Mundo de 2026 em telões dentro de templos evangélicos acendeu um debate que expõe uma tensão entre a modernização das igrejas e o imaginário religioso estruturado pela oposição entre sagrado e profano.
De um lado, líderes que defendem os telões falam em comunhão e missão. Assistir aos jogos da seleção juntos seria uma oportunidade de aproximar gerações, acolher vizinhos e oferecer um ambiente seguro, sem álcool nem violência, onde a torcida é "santificada" pelo clima de fraternidade e oração.
Do outro lado, críticos veem nisso uma profanação. Para eles, futebol, Copa e estética de arquibancada não podem invadir o espaço do culto sem contaminar a sua santidade. Quando o telão ocupa o altar e o grito de gol ecoa no lugar do "amém", a sensação é de que se marcou um gol contra no próprio sagrado.
O sociólogo Émile Durkheim ajuda a entender o que está em jogo. Religião, para ele, é um sistema de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, "separadas e proibidas", em oposição às coisas profanas do cotidiano. Sem essa barreira simbólica não há religião enquanto experiência com o sagrado, porque não há nada que exija um tratamento especial, distinto do uso comum.












