Eleições 2026
As últimas pesquisas eleitorais oferecem um retrato da relação entre religião e bolsonarismo na sucessão presidencial. No Datafolha, divulgado após o caso Dark Horse, Flávio Bolsonaro registrou queda entre evangélicos, passando de 49% para 42% no segmento, enquanto sua rejeição subiu de 28% para 34%. Em levantamentos posteriores, o filho do ex-presidente ainda aparece em posição confortável no grupo: tem 54% contra 36% de Lula na Nexus/BTG e 57% contra 31% na Ideia. A questão não é se houve desgaste. Houve. A pergunta mais importante é se esse desgaste foi suficiente para desorganizar a fidelização evangélica ao bolsonarismo. E, até aqui, a resposta parece ser não.
Antes de qualquer análise, é preciso prudência metodológica. Pesquisas não são fotografias tiradas pela mesma câmera, no mesmo ângulo. Institutos diferentes trabalham com metodologias diferentes, desenhos amostrais diferentes, modos de coleta diferentes. Quando se observam recortes internos como religião, região, idade ou autodeclaração ideológica, a margem de erro tende a ser maior do que a margem geral da pesquisa. A leitura precisa ser mais sofisticada para não transformar um número isolado em sentença.
O padrão que aparece nas três pesquisas é o de que o eleitorado evangélico continua sendo o amortecedor político do bolsonarismo. Mesmo quando há abalo, há também uma espécie de chão identitário que impede a queda livre. O Datafolha mostrou que o escândalo atingiu Flávio, mas a distribuição do impacto revela que a crise foi mais dura em setores moderados da direita do que no núcleo religioso. Entre os que se declaram moderados, a queda foi de 53% para 40%. No Sul, de 48% para 35%. Entre jovens adultos, um recuo relevante de 11 pontos. Já entre evangélicos, a queda de sete pontos, embora significativa, foi menor do que nos outros segmentos estratégicos.












