Ex-presidente apareceu em vídeo produzido por inteligência artificial durante evento que oficializou candidatura de Flávio Bolsonaro; resolução do TSE estabelece normas para o uso da tecnologia nas eleições 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Versão IA de Jair Bolsonaro é destaque em convenção do PL que oficializou candidatura de Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 11:00 Uso de IA em campanhas eleitorais: TSE exige identificação clara de deepfakes A exibição de um vídeo com inteligência artificial simulando Jair Bolsonaro na convenção do PL reacendeu o debate sobre o uso de IA em campanhas eleitorais. O TSE exige que conteúdos gerados por IA sejam identificados claramente, proibindo deepfakes que beneficiem ou prejudiquem candidatos. As regras valem também para plataformas digitais, que devem retirar conteúdos que violem as normas. A situação ocorre após Alexandre de Moraes reforçar restrições a Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL, neste sábado, reacendeu o debate sobre os limites do uso da tecnologia nas eleições de 2026. O material foi exibido no encerramento do evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em prisão domiciliar, o ex-presidente não participou presencialmente da convenção. No vídeo, uma versão criada por inteligência artificial reproduz sua imagem e sua voz para declarar apoio ao filho. Logo no início da gravação, o conteúdo informa ao público que se trata de uma simulação feita com inteligência artificial. Na mensagem, a versão digital de Bolsonaro afirma que está impedido de participar por causa da prisão domiciliar, critica a decisão judicial que o mantém sob restrições e pede apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feito com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto que nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos. Nenhuma prisão vai calar os milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé. O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente", disse a versão IA de Jair Bolsonaro, sob aplausos dos presentes. A identificação de que o vídeo foi produzido por IA atende a uma das exigências previstas pela Justiça Eleitoral para o uso desse tipo de tecnologia em propaganda. As regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inicialmente para as eleições municipais de 2024 e mantidas para o pleito deste ano, determinam que todo conteúdo gerado ou significativamente alterado por inteligência artificial seja identificado de forma clara e acessível, com indicação de que o material foi produzido por IA. A obrigação vale para textos, imagens, vídeos e áudios. Segundo a resolução, o aviso deve ser suficientemente destacado para que o eleitor saiba que está diante de um conteúdo sintético. Limites Apesar de permitir o uso de inteligência artificial em determinadas situações, a regulamentação impõe limites. A principal proibição é o uso de deepfakes para beneficiar ou prejudicar candidaturas durante todo o período eleitoral. A norma define deepfake como conteúdo em áudio ou vídeo gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa. Mesmo quando identificado como produzido por IA, o material também precisa respeitar as demais normas eleitorais, como a vedação à divulgação de informações falsas ou gravemente descontextualizadas capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral. Há ainda uma restrição específica para o período mais sensível da eleição. Entre as 72 horas que antecedem a votação e as 24 horas posteriores ao encerramento do pleito, fica proibida a divulgação de novos conteúdos sintéticos que utilizem a imagem, a voz ou manifestações de candidatos e de pessoas públicas, ainda que estejam corretamente rotulados como produzidos por inteligência artificial. As plataformas digitais também passam a ter obrigações. Caso identifiquem ou sejam notificadas sobre conteúdos que descumpram as regras eleitorais, devem interromper sua circulação, monetização ou impulsionamento. A resolução prevê responsabilização das empresas que deixarem de retirar conteúdos sintéticos sem a identificação obrigatória ou que violem as demais restrições previstas. O que pode e o que não pode em campanhas eleitorais — Foto: Agência Senado O episódio também ocorre dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçar as medidas cautelares impostas a Bolsonaro ao manter sua prisão domiciliar. Na decisão, o magistrado proibiu a divulgação de manifestos políticos ou eleitorais produzidos pelo ex-presidente, inclusive por intermédio de terceiros e independentemente do meio utilizado. A utilização de um vídeo criado por inteligência artificial durante a convenção do PL poderá, portanto, suscitar discussões sobre o alcance dessa determinação, além da aplicação das regras eleitorais sobre conteúdos sintéticos.