Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gustavo Veronesi coordena o programa Observando os Rios, da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica — Foto: Leo Barrilari / SOSMA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 10:50 Iniciativa "Observando os Rios" expõe novos desafios do Rio Tietê Gustavo Veronesi lidera a iniciativa "Observando os Rios" da SOS Mata Atlântica, monitorando a saúde do Rio Tietê. Seu trabalho revela que o rio enfrenta problemas além dos esgotos, incluindo contaminantes como agrotóxicos e resíduos de cocaína. Veronesi envolve voluntários na coleta de dados, promovendo a "ciência cidadã" e mobilizando a sociedade para a recuperação do Tietê. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A poluição do Rio Tietê, o curso d'água que atravessa a área metropolitana mais populosa do país e divide o estado de São Paulo ao meio, é um problema que atravessa gerações. Se o projeto de limpá-lo não decolou, é possível dizer ao menos que a pressão popular para tal aumentou, e que o rio tem um diagnóstico melhor hoje. Um dos grandes responsáveis por manter a despoluição do Tietê na lista de demandas da sociedade civil é o geógrafo Gustavo Veronesi, que coordena o programa Observando os Rios, da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica. Há mais de 20 anos o projeto faz um monitoramento independente da qualidade da água nos principais pontos da bacia do Tietê. Em 2025, Veronesi liderou uma expedição científica que produziu análises inéditas sobre a condição do rio, desde a nascente, em Salesópolis, até deságuar no rio Paraná, na divisa norte do estado. O trabalho revelou que o problema do Tietê vai muito além da proliferação de micro-organismos pelo contato com esgoto na região metropolitana, e que em nenhum ponto o rio está totalmente livre de contaminantes. Na capital, até resíduos orgânicos de cocaína estão presentes em níveis detectáveis na água. No interior, agrotóxicos chegam pelo ar e pelos afluentes impedindo o Tietê de se recuperar na saída do trecho urbano. Na região do Alto Tietê, o projeto de Veronesi já produziu uma série de dados por mais de uma década e se tornou referência para saber quando o rio está melhorando ou piorando. O cientista, de 48 anos, busca conduzir suas pesquisas usando indicadores mais compreensíveis para a população entender a condição do rio, o que ajuda também na cobrança de ações por parte do poder público. Ciência cidadã Um grande diferencial é que o projeto se propôs a fazer isso engajando os moradores de São Paulo na causa. Antes de o termo "ciência cidadã" entrar em uso corrente, Veronesi começou a construir uma rede de voluntários que ajudam a examinar águas fluviais em São Paulo e outros estados da Mata Atlântica. A estrutura que o cientista começou a montar envolve hoje mais de 2.200 pessoas e faz a coleta de amostras em outros rios também, usando a mesma metodologia. Veronesi diz que se conscientizou da importância de envolver o público na ciência por conta de sua própria experiência com o Tietê. O cientista já se envolvia com outras causas ambientais quando começou a trabalhar com o rio, que não era seu foco. — Apesar de eu sempre morar muito perto do Tietê, eu não tinha ainda uma relação muito próxima com o rio —conta. — Em São Paulo o que ensinavam para a gente é que o Tietê é só um lugar sujo por onde a gente tem que passar por cima. Só se falava no rio quando ele transbordava e causava problema. Segundo Veronesi, o envolvimento de estudantes e moradores na produção dos dados para o relatório científico do projeto os ajuda a entender que o Tietê pode voltar a se tornar um rio vivo na cidade. — Eles entendem que não estão sozinhos fazendo uma análise mensal só daquele riozinho ou daquele ponto onde eles estão. Eles fazem parte de algo maior —diz. — Os voluntários entendem que eles são muito importantes, porque sem os dados não teríamos como fazer o relatório. E eles também sabem que se eles não estiverem na comunidade cobrando por melhoria para o rio, a melhoria não vem.