Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A geógrafa Ane Alencar é diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 09:09 Ane Alencar: Cientista Brasileira Entre os "101 que Transformam o Futuro" Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam, destaca-se entre os "101 brasileiros que transformam o futuro", segundo O GLOBO. Apaixonada por mapas desde a infância, Alencar é especialista em dinâmica do fogo na Amazônia, atuando na prevenção de incêndios e políticas públicas. Coordena projetos como MapBiomas Fogo e participa de fóruns internacionais, promovendo a proteção das florestas e destacando o impacto das mudanças climáticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ane Alencar sempre foi apaixonada por mapas, desde a infância em Belém. "Passava horas naquelas antigas enciclopédias olhando mapas de vários lugares", disse ela em entrevista. No Primeiro Grau (atual Ensino Fundamental), uma professora de geografia, que contava para a turma as viagens que fazia a diversos lugares, era sua favorita: a pequena Ane corria para os mapas, para descobrir como eram o relevo e a vegetação naqueles lugares. A essa paixão juntou-se o fascínio por pedras, que colhia nas praias quando ia à casa do avô, em Mosqueiro, também no seu Pará natal. No vestibular, nos anos 1990, a geografia era a opção óbvia. Após três décadas, a geógrafa (pela UFPA) de 53 anos é diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), mestre em Sensoriamento Remoto pela Universidade de Boston (EUA) e doutora em Conservação de Recursos Naturais pela Universidade da Flórida (EUA). Residente em Brasília, tem como principal especialidade a dinâmica do fogo, do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia e no Cerrado ("talvez seja hoje o maior ponto cego da agenda ambiental brasileira"), e sua relação com as mudanças climáticas. Desafio climático Reconhecida como uma das principais especialistas em ciência do fogo em florestas tropicais, ela atua na produção de conhecimento e no apoio a políticas públicas para prevenção e manejo integrado do fogo. Coordena o MapBiomas Fogo e o setor de Mudança de Uso da Terra do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg), integra o Painel Científico para a Amazônia e a coordenação do Observatório do Clima. Ou seja, não faltam problemas (do Brasil, do mundo e de toda a Humanidade) para ela ajudar a investigar e tentar resolver. —Acho que a nossa maior prioridade é reconhecer que vivemos em um planeta de recursos finitos, e que prosperidade não pode mais ser construída à custa da degradação da natureza — diz ela. — Essa lógica de exploração sem limites alimentou o aumento das emissões de gases de efeito estufa e nos trouxe à crise climática de hoje. O sistema climático da Terra está respondendo a esse desequilíbrio, e essa resposta se manifesta na forma de eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos. Presença certa na Conferência das Partes (Cop) desde 2015, ela teve o prazer de participar da reunião em sua cidade natal, Belém, em 2025. Em encontros internacionais como esse, ela tenta levar adiante um movimento de proteção das florestas, sempre castigadas pelos incêndios – principalmente os intencionais, que queimam a vegetação para "limpar" o solo e usá-lo na agricultura, e que muitas vezes acabam saindo de controle. —O fogo sempre foi tratado como questão local ou apenas de resposta a emergências — diz ela. — Hoje, sabemos que ele é também um desafio climático, de biodiversidade e de saúde pública. Tenho trabalhado para aproximar governos, cientistas, brigadistas, povos indígenas, comunidades locais e organizações internacionais em torno de soluções que fortaleçam a prevenção, o manejo integrado do fogo e a proteção das florestas tropicais dos incêndios.