Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisadora da Fiocruz coordena estudo pioneiro sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde da população brasileira — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 09:43 Pesquisadora da Fiocruz destaca impactos climáticos na saúde no Brasil Beatriz Oliveira, pesquisadora da Fiocruz, lidera um estudo inovador sobre os impactos das mudanças climáticas e poluição na saúde dos brasileiros. Pesquisa recente atribuiu cerca de 120 mil mortes a ondas de calor entre 2000 e 2019. Beatriz destaca a vulnerabilidade dos idosos e o papel da escolaridade na redução de riscos. Ela também coordena o projeto FioAres na Amazônia, monitorando poluentes de queimadas, visando políticas públicas sustentáveis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Estragos causados por enchentes ou ciclones são terrivelmente visíveis, mas quem observa aqueles provocados por agentes que escapam aos olhos, como poluentes no ar e ondas de calor extremo? Um olhar atento a esses fenômenos no Brasil é o da pesquisadora da Fiocruz Beatriz Oliveira, de 41 anos. Ela coordena estudos de vanguarda sobre os efeitos das mudanças climáticas e da poluição atmosférica na saúde da população. Uma importante descoberta de uma pesquisa liderada por Beatriz, publicada este ano, foi a de que cerca de 120 mil mortes no Brasil, ao longo de duas décadas, podem ser atribuídas às ondas de calor. Foi a primeira vez que um estudo desse tipo foi realizado, cruzando dados de localidades que tiveram pelo menos dois dias consecutivos de calor extremo com os números de internações hospitalares e mortes registradas no SUS, entre 2000 e 2019. — O estudo incluiu todos os municípios do Brasil. O grupo de maior risco é o dos idosos, respondendo por 80% dos óbitos, por doenças respiratórias e cardiovasculares. Um dos principais impactos observados foi a redução do risco de morte conforme aumenta a escolaridade. Isso mostra que o risco não é igual para todos, e há um fator socioeconômico envolvido — comenta Beatriz. Poluente típico do fogo Para chegar a esse resultado, a equipe da pesquisadora analisou todos os óbitos registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS, em 5.566 municípios: um total de 19,8 milhões de mortes por causas naturais naquele período. Desse montante, 119.643 mortes foram associadas às ondas de calor. Beatriz espera que seu trabalho possa orientar um conjunto de políticas públicas: — Precisamos pensar em estratégias de redução de vulnerabilidade. A longo prazo é planejar cidades mais resilientes e sustentáveis, com locais mais ventilados e arborizados. Nascida em Goiás, ela se formou em Enfermagem pela Universidade Estadual do Mato Grosso. Seu campus era em Cáceres, cidade notoriamente quente. Em 2011, mudou-se para o Rio, onde fez mestrado e doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), no programa de pós-graduação de Saúde Pública e Meio Ambiente. Atualmente, ela coordena um projeto pioneiro na região amazônica, o FioAres. Desde junho, monitora a presença de material particulado fino, que é um poluente com alta capacidade de atingir o sistema respiratório e a corrente sanguínea. Na Amazônia, é proveniente de queimadas e incêndios florestais. —Esse poluente é o mais estudado na saúde pública. Instalamos cinco estações de monitoramento de referência em Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Belém e Santarém. É a primeira vez que isso é feito de forma orgânica para subsidiar políticas públicas e desenvolvimento de modelos —explica a pesquisadora.
Beatriz Oliveira: Pesquisadora da Fiocruz coordena estudo pioneiro sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde da população brasileira
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






