Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A médica Evangelina Araújo é presidente da ONG Instituto Ar — Foto: Divulgação/ Instituto Ar RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:19 Evangelina Araújo lidera esforços pela qualidade do ar no Brasil Evangelina Araújo, patologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e presidente do Instituto Ar, destaca-se na luta pela melhoria da qualidade do ar no Brasil. Aos 61 anos, ela integra um grupo de especialistas que pressiona pela adoção dos padrões da OMS. Araújo busca engajar a classe médica e apoiar políticas que reduzam a poluição atmosférica, destacando os custos à saúde pública causados pelo atraso na adequação às normas internacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A briga para que o Brasil melhore a qualidade do ar respirado em suas cidades é um dos principais debates reunindo hoje as áreas da saúde e do meio ambiente, mas durante muito tempo esse esforço resultou em poucos avanços. Em 2024, com a aprovação da Política Nacional de Qualidade do Ar, finalmente o país ganhou um arcabouço para construir um plano consistente. A disputa para que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) reduza os limites de poluição aceitos em áreas urbanas, porém, segue viva. Uma das pessoas que encampam essa luta da sociedade civil para reduzir a poluição atmosférica no país é a médica Evangelina Araújo, patologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e presidente da ONG Instituto Ar. Realizando estudos sobre o tema e atuando como consultora do Ministério Público nas audiências para uma nova legislação, ela foi uma figura importante em dar suporte científico para mostrar que o ar sujo é um problema sério de saúde pública e precisa de mais atenção do Estado. Araújo, de 61 anos, agora faz parte do grupo de especialistas que pressiona para acelerar a agenda de adoção dos padrões de qualidade do ar preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil. Os custos da poluição A regra vigente hoje permite que um cidadão do país respire até 15 μg/m³ (microgramas por metro cúbico) de material particulado fino (MP2,5), o poluente mais nocivo. Só acima desse valor as autoridades podem ser legalmente responsabilizadas por não cuidarem do tema. Para a OMS, porém, o padrão saudável é de no máximo 5 μg/m³. O Conama prevê que o Brasil faça uma adaptação gradual a essa exigência, e só em 2044 adote esse limite. — Quem paga a conta desse atraso é a população, com morte e com adoecimento. Ou seja, o setor do meio ambiente é quem faz a gestão da qualidade do ar, mas a saúde é quem paga a conta do atraso. E os dois setores não conversam bem — diz a médica. No Instituto Ar, Araújo trabalha para engajar a classe médica na luta para que a lei pelo menos exija dos órgãos ambientais estaduais que emitam alertas para a população quando a qualidade do ar estiver crítica. Isso já é feito, mas o limiar para definir um episódio crítico ainda é pouco exigente. Após 18 anos atuando nesse tipo de problema, a ONG criada por Araújo já participa de frentes internacionais de discussão, inclusive na OMS, e articula o aporte de recursos destinados à adaptação climática que possam ser usados nessa agenda. — Quando a OMS entrou de sola junto com a ONU na questão da mudança do clima, em 2021, eles mostraram que só os gastos que a saúde tem hoje com a poluição atmosférica já pagariam os custos para atingir tudo o que o Acordo de Paris prevê de redução das emissões de gases de efeito estufa — diz, em entrevista ao GLOBO. — Não tem cabimento o Brasil querer levar mais 24 anos para chegar aos padrões de qualidade do ar da OMS.