Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Na ONG ImpulsoGov, João Abreu e Isabel Opice usam tecnologia para lembrar pacientes quando é hora de retomar exames — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 20:13 ONG ImpulsoGov Salva Vidas com Lembretes de Exames no Brasil João Abreu e Isabel Opice, fundadores da ONG ImpulsoGov, utilizam tecnologia para salvar vidas ao enviar lembretes para pacientes realizarem exames de rotina em 420 cidades do Brasil. A iniciativa, que já salvou vidas identificando lesões em fases iniciais, busca expandir para o Ministério da Saúde. O projeto impressiona por usar dados simples, sem necessidade de IA avançada, visando um sistema de saúde proativo e preventivo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É possível salvar vidas com uma mensagem de texto? Os fundadores da organização não-governamental ImpulsoGov acreditam que sim. Isabel Opice, de 38 anos, e João Abreu, de 33, ambos de São Paulo, usam análises de dados de pacientes da Atenção Primária, em 420 cidades brasileiras, para lembrar quando é hora de retomar exames e rastreios de doenças que podem se tornar problemas de saúde sérios adiante. O lembrete, eles explicam, pode ser o fiel da balança entre descobrir uma alteração em estágio inicial e tratá-la com bom prognóstico, no lugar de remediar um quadro avançado, que, normalmente, é mais custoso para o paciente e para o sistema de saúde. — Tivemos uma paciente que não realizava o exame de Papanicolau há mais de 10 anos, achava que estava tudo bem. Ao receber um WhatsApp nosso, ela procurou o serviço de saúde e fez o exame, no qual identificou uma lesão pré-cancerígena. E, assim, pode fazer o acompanhamento necessário a tempo. Costumamos dizer que nosso trabalho salva vidas — diz Isabel. As prefeituras que aceitam trabalhar com a ImpulsoGov até aqui não precisam pagar mensalidade para receber o serviço. A manutenção dos 60 funcionários — que vieram de lugares como a consultoria McKinsey & Company ou da Amazon — é feita por meio de filantropia. Planos de expansão A organização planeja escalar seu funcionamento: no lugar de fechar acordos com prefeituras, quer estender sua expertise em identificar pacientes em atraso com exames importantes ou com carteirinhas de vacinação incompletas para o alcance do Ministério da Saúde. Nesse caminho, a organização firmou, neste ano, um acordo de cooperação com o governo federal com prazo de cinco anos de duração. Na parceria, mais de um milhão de pessoas receberam mensagens lembrando de exames que estão em atraso. — A gente tem uma meta interna de salvar uma vida por hora. Hoje, nossa estimativa é a de que salvamos uma a cada 55 horas — afirma Isabel. A ideia, daqui em diante, é se apoiar na experiência das cidades que têm acordo individual com a ImpulsoGov para aprimorar as estratégias nacionais. Ou seja, o contingente de 420 cidades fará as vezes de um “laboratório de inovação” para que soluções oferecidas ao Ministério da Saúde já tenham seus trunfos e desafios bem mapeados antes de ganharem escala. — Nossa visão para o Brasil é que podemos ter o melhor sistema de saúde do mundo, porque ele não vai esperar você ficar doente. É um sistema que te liga para falar sobre prevenção, exames, vacina — conta João Abreu. — Quando conversamos internacionalmente sobre esse trabalho, as pessoas trazem ponderações que o SUS já resolveu. Alguns dizem: ‘o que adianta mandar mensagem para fazer o preventivo se a pessoa não tem onde fazer o exame?’ Respondemos: tudo bem, o sistema brasileiro tem 49 mil Unidades Básicas de Saúde. Uma grande parte do problema já foi resolvida, mas estamos ainda deixando uma oportunidade na mesa se não usarmos tecnologia para ser proativos e acionar essa rede que já existe. O trabalho da Impulso até aqui impressiona por utilizar informações já coletadas pelas unidades de saúde e aplicá-las por meio de serviços de tecnologia relativamente simples, que não necessitam, por exemplo, de últimos avanços em Inteligência Artificial para funcionar. — O que nós fazemos é possível sem IA, é mais feijão com arroz do que as pessoas imaginam. Nesse momento, inclusive, nós fazemos o uso da inteligência artificial para escrever as mensagens (que serão enviadas aos pacientes) — explica João. —Nós sabemos que as mulheres de 25 a 64 anos têm que fazer exame de Papanicolau, e isso já não acontece para a maioria populacional. Não é preciso uma ciência de foguetes para identificar isso. Mesmo assim, a área de pesquisa e desenvolvimento da organização quer olhar mais atentamente para pacientes que precisam de protocolos ainda mais customizados do que as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem, por exemplo. — O SUS tem dados que podem ajudar a customizar esse protocolo, a identificar pessoas que têm risco aumentado e precisam fazer o mesmo exame, por exemplo, a cada ano. Isso é um passo para o futuro e fará muita diferença. O SUS tem o maior banco de dados de saúde pública do mundo, isso é ouro para sistemas preditivos. Mas, nesse momento, ainda precisamos fazer o básico— conclui João.