Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O neurocientista Mychael Lourenço coordena o Laboratório de Neurociência Molecular da UFRJ — Foto: Leo Martins / Agencia O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 20:29 Cientista brasileiro Mychael Lourenço é destaque em pesquisa sobre Alzheimer O neurocientista Mychael Lourenço, de 36 anos, é destaque internacional por suas pesquisas sobre Alzheimer e demências. Ele busca entender por que alguns envelhecem com mente afiada enquanto outros desenvolvem demência, explorando fatores de resiliência e prevenção. Lourenço, professor da UFRJ, foi reconhecido pela Nature Medicine e recebeu o ALBA-Roche Prize por sua contribuição à neurociência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Por que algumas pessoas ultrapassam os 90 anos ativas e com a mente afiada enquanto outras, duas ou três décadas mais jovens, veem a cognição declinar e desenvolvem demências? Se depender do neurocientista carioca Mychael Lourenço, essa pergunta terá mais do que apenas uma resposta. Ele desenvolve pesquisas para descobrir fatores de resiliência contra demências e encontrar formas de preveni-las ou tratá-las. Com apenas 36 anos, Lourenço já conquistou reconhecimento mundial por causa de suas pesquisas sobre a doença de Alzheimer e outras demências. Em comum, todas são associadas ao envelhecimento. Segundo números da Organização Mundial de Saúde apresentados este mês, 57 milhões de pessoas sofrem de demência no mundo. A cada ano, 10 milhões de novos casos são diagnosticados. Estima-se que o Alzheimer responda por entre 60% a 70% dos casos. Além do imenso sofrimento humano, há ainda danos pesados à economia. O custo global, de acordo com a OMS, chega a US$ 1,3 trilhão por ano, e metade da conta recai diretamente sobre as famílias. Lourenço diz que o crescimento de casos é consequência do fato de as pessoas viverem cada vez mais, além da existência de fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, poluição e obesidade, por exemplo. Ele começou ainda criança a se perguntar como a vida funciona. Queria ser professor, mas também virou cientista. Desde os 28 anos é professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2023, foi considerado pela prestigiosa revista Nature Medicine um dos 11 jovens cientistas mais promissores do mundo. Risco e resiliência Hoje à frente do Laboratório de Neurociência Molecular da UFRJ, o cientista e professor recebeu este mês o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research 2026, que reconhece cientistas que mudam a compreensão sobre o Alzheimer. — Minha meta é produzir ciência que leve à prevenção e a um tratamento eficaz. Entender, por exemplo, o que predispõe a uma pessoa a contrair demência — afirma Lourenço. Ele busca encontrar biomarcadores que indiquem não apenas o risco, mas fatores de resiliência. — Comecei minhas pesquisas pelo mal de Alzheimer, mas logo vi que existem mais de 20 outras formas de demência que são pouco investigadas, sobre as quais se sabe muito pouco. Isso gera um ciclo vicioso, não há diagnóstico preciso. São exemplos a demência frontotemporal e outra associada ao Parkinson — explica o cientista. Suas pesquisas têm contribuído na compreensão dos motivos pelos quais a memória e o raciocínio são afetados pela doença de Alzheimer. Ele investiga como problemas no metabolismo e inflamações afetam as conexões entre neurônios e o equilíbrio das proteínas no cérebro. Mas ele sonha além de sua própria carreira: almeja o fortalecimento da ciência: — Gostaria de ver o Brasil desenvolvendo uma agenda científica como política de Estado, incorporando práticas científicas nas políticas públicas. Espero continuar a contribuir para a produção científica brasileira por muitos anos.