Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A neurocientista Fabiana Corsi Zuelli foi a primeirta brasileiras a ganhar o prêmio USERN Prize 2024 Globlal para jovens cientistas — Foto: Joel Silva / Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 20:00 Neurocientista Brasileira Ganha Prêmio Internacional por Pesquisa em Imunopsiquiatria A neurocientista Fabiana Corsi Zuelli foi premiada internacionalmente por sua pesquisa em imunopsiquiatria, que relaciona psicoses a mecanismos imunológicos. Seu estudo, desenvolvido com um consórcio europeu, desafia a visão tradicional das psicoses como exclusivamente mentais. Zuelli, pioneira brasileira a receber o USERN Prize, busca tratamentos baseados no perfil imunológico, visando prescrever terapias mais eficazes. Ela também se dedica a promover a participação feminina na ciência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Imagina se dedicar por dez anos a uma pesquisa científica e, a partir dela, ganhar um prêmio internacional, sendo escolhida entre 90 mil inscritos por um júri de 600 notáveis, incluindo vencedores do Nobel? A neurocientista Fabiana Corsi Zuelli alcançou o feito no ano passado, com seu estudo em imunopsiquiatria que relaciona psicoses a mecanismos imunológicos, e não apenas mentais. Ainda que tenha sido a primeira brasileira a chegar lá, ela não vê no USERN Prize, concedido a pesquisadores de destaque em início de carreira, um reconhecimento apenas a seu esforço individual, mas sim um atestado da qualidade da ciência feita em universidades públicas brasileiras. Fabiana cursou enfermagem na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, e hoje faz pós-doutorado na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Seu trabalho, desenvolvido junto a um consórcio europeu de cientistas, é inovador ao reforçar a desconstrução da falsa crença de que transtornos mentais, como a esquizofrenia, são coisas só do cérebro. Os resultados, calcados em evidências genéticas e epidemiológicas, podem trazer bem-estar a muitos pacientes que vivem em sofrimento. Estima-se que cerca de 30% dos que são medicados com antipsicóticos convencionais não respondam ao tratamento. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a pessoa tem concentrações mais altas de proteínas inflamatórias no sangue, ou, ainda, por fatores ambientais. Uma investigação a respeito pode levar a prescrições mais precisas e eficazes. Um caso na família Fabiana, que tem 35 anos, interessou-se pelo assunto porque acompanhou um caso bem de perto: sua mãe cuidou da irmã esquizofrênica por anos. Hoje, a pesquisadora sonha com o dia em que tratamentos baseados no perfil imunológico estarão disponíveis para quem precisa. Numa das frentes atuais de trabalho, ela contribui com o preparo de novos ensaios clínicos randomizados para identificar pessoas com psicose de maior vulnerabilidade no sistema imune, para que, assim, sejam testadas medicações mais específicas. O objetivo é verificar se, dessa forma, é possível aliviar quadros de fadiga e de perda de prazer em atividades que antes eram agradáveis para o paciente. Uma outra frente da neurocientista: ajudar a formar e abrir portas para uma nova geração de cientistas, de modo que o Brasil ganhe mais espaço na produção de conhecimento de ponta. Em especial, para mulheres. Segundo Fabiana, isso se deve à sobrecarga histórica do cuidado, que recai sobre elas: — A ciência precisa de vozes diferentes. No Brasil, as mulheres são maioria no mestrado e no doutorado, mas apenas uma em cada quatro pesquisadoras chega ao topo da carreira. E são os homens que ainda lideram a maior parte dos grandes projetos. Momentos difíceis existiram, e seria desonesto dizer que nunca duvidei do caminho. Mas nunca deixei de acreditar no propósito por trás do meu trabalho, e isso me motiva. O que eu diria a uma menina que sonha com a ciência é: os obstáculos são reais, mas não são intransponíveis.
Fabiana Corsi Zuelli: Pesquisadora tem trabalho premiado relacionando psicoses a mecanismos imunológicos
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






