Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A neurocirurgiã pediátrica Giselle Coelho é pioneira no desenvolvimento de novas técnicas de ensino e aprendizagem em neurocirurgia — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 20:09 Giselle Coelho: Inovações na Neurocirurgia Pediátrica Global Giselle Coelho, neurocirurgiã pediátrica mineira, destaca-se por suas inovações tecnológicas na medicina. Superando uma infância modesta e desafios na residência médica, ela desenvolveu um simulador de bebê que revolucionou o treinamento cirúrgico, integrando realidade aumentada e inteligência artificial. Atualmente na Mayo Clinic, nos EUA, Giselle foca em robótica e telemedicina, com impacto global, incluindo o Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma fratura na perna, aos 7 anos, transformou-se em inspiração. O que poderia ser um trauma de infância levou Giselle Coelho a se encantar pela medicina e, mais tarde, pela tecnologia aplicada à cura. Hoje, aos 47 anos, a neurocirurgiã pediátrica é respeitada entre seus pares pelo pioneirismo no desenvolvimento de novas técnicas em sua especialidade. Mineira, de família humilde, ela começou a trabalhar aos 14 anos. Passou em Medicina na Unicamp e cursou a faculdade pública apoiada por uma bolsa-auxílio para alunos carentes. Os desafios do período de residência quase a fizeram desistir, mas o caminho da inovação a fez seguir em frente. No último ano do programa, o incômodo com a limitação em estratégias de treinamento para as cirurgias resultou em um dos projetos mais originais de sua carreira: um simulador de bebê capaz de reproduzir a anatomia, a consistência dos tecidos e até o comportamento do sangramento durante uma cirurgia. O modelo se tornaria a base de uma plataforma de treinamento hoje combinada com realidade aumentada, inteligência artificial e avatares digitais. Abriu espaço para uma nova maneira de formar neurocirurgiões. — Estamos caminhando para uma formação em que grande parte da curva de aprendizado pode acontecer em ambientes simulados. Hoje não tem desculpa para aprender no paciente. Mesmo no Brasil, com todas as dificuldades, é possível otimizar — afirma ela. Programa no exterior Atualmente, Giselle participa do programa de treinamento avançado STR-X (sigla em inglês para “simulação, telemedicina, robótica e educação experimental”) na Mayo Clinic em Jacksonville, nos Estados Unidos. Lá, se dedica a projetos como desenvolvimento de avatares capazes de ensinar técnicas cirúrgicas em diferentes idiomas, sistemas de planejamento cirúrgico holográfico, pesquisa com aplicações de robótica para a neurocirurgia e inteligência artificial offline capaz de orientar profissionais em regiões remotas da Amazônia — ou até em futuras missões espaciais. Mesmo trabalhando no exterior, em uma das instituições médicas mais prestigiadas do mundo, ela não desvia as atenções de sua terra natal. — A tecnologia que vamos desenvolver aqui vai ressoar em muitos países, incluindo o Brasil — afirma, antes de apontar para o futuro: — A combinação do planejamento preparatório tridimensional, ou seja, entender cada vez mais a anatomia específica do paciente, com a navegação em tempo real, será cada vez mais indispensável. O uso da realidade aumentada é outra tecnologia que tem muito potencial, assim como a robótica.