Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com o Perifa Sustentável, Amanda Costa ajuda a formar jovens lideranças e a criar oportunidades para que ocupem espaços onde as decisões sobre o clima são tomadas — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 03:43 Amanda Costa: Jovem Líder no Combate às Mudanças Climáticas no Brasil Amanda Costa, ativista climática de 29 anos, é destaque na lista "101 brasileiros que transformam o futuro" do jornal O GLOBO. Criadora do Perifa Sustentável, ela mobiliza jovens das periferias para causas climáticas. Bolsista em escola particular, Amanda formou-se em Relações Internacionais e é jovem embaixadora da ONU. Atualmente, faz mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento na London School of Economics. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ativista climática Amanda Costa, de 29 anos, era criança, na Zona Norte de São Paulo, quando ouviu da mãe que poderia ser tudo o que quisesse. Mas teria que batalhar o dobro. Aquelas palavras viraram mantra. A lista de feitos dela é de quem não conhece descanso. Bolsista em escola particular, formou-se em Relações Internacionais. Fundou o Perifa Sustentável, que mobiliza a juventude em torno da pauta climática nas periferias, é jovem embaixadora da ONU e, em 2021, entrou para a lista #Under30 da revista Forbes. Apresentou o programa de televisão Tem Clima Pra Isso, do Canal Futura, foi vice-curadora do Global Shapers HUB SP, comunidade de jovens do Fórum Econômico Mundial. Hoje, Amanda está fazendo mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, na London School of Economics and Political Science. Sua missão é traduzir a crise climática de um jeito acessível e próximo das realidades. Através do Perifa Sustentável, ajuda a formar jovens lideranças e a criar oportunidades para que ocupem espaços onde as decisões sobre o clima são tomadas. — Existe um equívoco quando perguntam se é difícil engajar jovens periféricos em temas ambientais. Quando a conversa começa pelo aumento da temperatura global, pelas negociações internacionais, pode parecer distante. Quando falamos da enchente que alaga a rua da escola ou da qualidade do transporte público, estamos falando da vida dessas pessoas. A justiça climática conecta esses temas. Moradia, segurança, saúde e clima não são agendas separadas. Cop e disputa política Amanda é veterana nas Conferências do Clima da ONU. Para chegar à primeira delas, em Bonn, na Alemanha, em 2017, economizou o vale-refeição do primeiro estágio e fez vaquinha. Depois vieram Polônia (COP24), Reino Unido (COP26), Egito (COP27), Brasil (COP30). O olhar encantado das primeiras conferências amadureceu. – As COPs são fundamentais, mas também são espaços de muita disputa política, econômica e geopolítica. E nem sempre o que a ciência recomenda é o que os países estão dispostos a fazer. Como uma jovem negra que cresceu na Brasilândia, também percebi que quem sofre mais os impactos da crise climática ainda está sub-representado. Cada vez que participo de uma COP, não estou levando apenas a minha história, mas uma perspectiva construída na periferia, onde as mudanças climáticas não aparecem primeiro em gráficos, mas nas enchentes, nas ondas de calor, na falta de água e na desigualdade. Amanda tem planos de voltar para o Brasil. Quer continuar empreendendo o Perifa Sustentável e desenvolver projetos com governos, organizações e comunidades para ampliar a adaptação climática. E quer descansar. — Como mulher negra, aprendi que descansar é ato político. Quero construir uma carreira que tenha impacto, mas que também me permita viver, viajar, e celebrar cada conquista sem precisar me preocupar com a próxima logo em seguida.