Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ariadne Daher é especialista em gestão técnica do meio urbano — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:02 Ariadne Daher: Cidades Resilientes e Inclusivas para o Futuro A urbanista Ariadne Daher, destacada na lista "101 brasileiros que transformam o futuro" do O GLOBO, enfatiza que o bem-estar urbano depende da adaptação das cidades a emergências climáticas e crescimento desordenado. Inspirada por Jaime Lerner, Ariadne lidera projetos de resiliência urbana e inclusão. Ela destaca a importância de superar déficits de infraestrutura e integrar imigrantes, sonhando com cidades mais justas e sustentáveis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “Cidade não é problema, é solução”. A famosa frase de Jaime Lerner (1937-2021), arquiteto e urbanista de nome internacional e também político por décadas, propunha que os espaços urbanos com grande população podem, sim, ser mais humanos e sustentáveis, bastando criatividade e políticas públicas para transformá-los. A crença foi herdada por Ariadne Daher, colega que teve nele um mentor. Ela é sócia do escritório que leva seu nome, em Curitiba, com projetos que unem resiliência urbana, mobilidade e inclusão. A revisão do planejamento urbanístico do polo de inovação Sapiens Parque, em Florianópolis (SC), a qualificação das orlas urbanas de Paraty (RJ) e a renovação da tradicional Avenida Guararapes, no centro do Recife (PE), são alguns dos grandes projetos em andamento que fazem brilhar seus olhos. Como o piloto do Parque Palafitas, em Santos (SP), de construção de moradias sobre uma área de mangue onde se fixou a maior favela de palafitas do país. As unidades, mais seguras e salubres que as originais, improvisadas, estão sendo entregues aos moradores. Para Ariadne, que é especialista em gestão técnica do meio urbano e há 20 anos trabalha no Jaime Lerner Arquitetos Associados, com projetos de planejamento territorial e desenvolvimento urbano-ambiental, já está claro que o bem-estar da população depende, necessariamente, da capacidade das cidades de se adaptarem a eventos extremos causados pelas emergências climáticas, pelo crescimento acelerado e desordenado e por outras mazelas do nosso e de outros tempos. Mais ainda no chamado Sul global. — Ainda nos debatemos com enormes déficits de infraestrutura de saneamento, de acesso à moradia de qualidade e de serviços públicos para a população mais vulnerável — aponta a urbanista, que também é professora universitária, tendo passagem em escolas do exterior. Segundo ela, os países mais desenvolvidos têm, entre outros, o desafio de integrar os fluxos de imigrantes ao seu tecido social: — Historicamente, esse habitat que diferentes civilizações criaram para si é também um instrumento da vida política das sociedades, um espaço em que se exercita a mediação entre a vida pública e a privada, os interesses coletivos e os individuais. Difundir a cidade-solução Na análise de Ariadne, para que nos salvemos todos, é necessário não sucumbir ao negacionismo, tampouco à paralisia que pode decorrer das previsões mais agudas sobre o futuro do planeta. Ela sonha com o dia em que o conceito de “cidade-solução” esteja difundido. — As cidades têm potencial para serem lugares melhores, mais justos, prósperos e harmônicos com sua base natural. Existem fontes de financiamento nacionais e internacionais bastante razoáveis, que não são acessadas pela ausência de bons projetos por parte das cidades, o que denota que precisamos construir capacidade institucional, principalmente dos municípios pequenos e médios — avalia Ariadne Daher.