Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Anacláudia Rossbach, diretora-executiva do ONU-Habitat — Foto: Mark Garten/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:44 Diretora da ONU-Habitat defende moradia digna e sustentável no Brasil Anacláudia Rossbach, diretora da ONU-Habitat, luta por moradia digna e sustentável, destacando que 3,4 bilhões vivem em condições precárias. Ela defende o planejamento urbano, a participação comunitária e o protagonismo feminino nas decisões. Projetos como o Periferia Viva, no Brasil, mostram que habitação é chave para um futuro melhor, embora o desafio ainda seja grande. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aos 8 anos de idade, Anacláudia Rossbach presenciou o alagamento completo da casa em que morava, em Mato Grosso do Sul. Os pertences da família foram retirados de barco. A atual subsecretária-geral das Nações Unidas (ONU) e diretora-executiva do Programa da organização para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) recorda-se que, a partir daquele momento, percebeu que todos podem ser vulneráveis a um desastre, inclusive ela. Hoje, aos 56 anos, Anacláudia trabalha para que a população global tenha moradia digna, integrada a bairros com infraestrutura e soluções sustentáveis. Ela assumiu a ONU-Habitat em 2024, com a missão de guiar a entidade em seu apoio a governos para que ações isoladas se transformem em políticas públicas. Segundo o Relatório Mundial das Cidades 2026, 3,4 bilhões de pessoas vivem em casas precárias e não têm acesso a serviços básicos. O déficit pulou de 251 milhões de unidades habitacionais (2010) para 288 milhões (2023): —Não é um problema marginal. É uma crise global e sistêmica. Em paralelo, também temos o desafio da crise climática e humanitária, pois eventos extremos, deslocamentos forçados e conflitos estão ampliando os déficits habitacionais. Planejamento e diálogo Para ela, o planejamento urbano é a espinha dorsal de onde e como a cidade vai crescer, reduzindo, assim, a segregação e protegendo os espaços verdes. A executiva defende a participação da comunidade nesse processo, sobretudo da juventude, que deve estar com a caneta na mão, ajudando a formular políticas públicas e pensando em melhores soluções ambientais para o território. Anacláudia também luta para que as mulheres estejam no centro das tomadas de decisão no lugar onde vivem. Lembra que a violência, a iluminação inadequada e um transporte que não pensa a rotina delas tornam o acesso a todas as áreas urbanas limitado. Ela traz um dado: no Brasil, 61,8% do déficit habitacional está em domicílios chefiados por uma mulher. Ao longo da carreira, Anacláudia participou de projetos em áreas de vulnerabilidade. No Brasil, o ONU-Habitat atua com o Ministério das Cidades no Programa Periferia Viva, que envolve as comunidades locais em ações de urbanização em favelas, regularização fundiária e inclusão social nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, a comunidade de Izidora passa por uma transformação urbana de forma sustentável, com soluções baseadas na natureza, como os jardins de chuva, usados para captação da água, por exemplo. Mesmo com projetos bem-sucedidos, ela diz que ainda há um longo percurso até garantir moradia adequada para todos. Ainda assim, compreende ser possível enxergar a habitação como plataforma de acesso a um futuro melhor. —Conheci famílias que saíram de um barraco de madeira e foram para uma casa. Filhos passaram a ter endereço, transporte, acesso à escola e mais chances de trabalho. Algumas das crianças que nasceram nesses barracos chegaram à universidade. Isso é inspirador, porque mostra que a habitação não é só um teto e quatro paredes.
Ana cláudia Rossbach: Para a diretora da ONU-Habitat, é possível enxergar a habitação como acesso a um futuro melhor
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






