Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A arquiteta Ester Carro fundou o Instituto Fazendinhando, que reforma moradias e espaços públicos precários, em São Paulo — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:15 Ester Carro: Arquitetura Social Transforma Paraisópolis com Dignidade Ester Carro, arquiteta paulistana de 31 anos, transforma espaços públicos e habitações precárias em Paraisópolis, promovendo dignidade através da arquitetura social. Fundadora do Instituto Fazendinhando, ensina construção civil a mulheres e reutiliza materiais, criando impacto positivo na comunidade. Reconhecida pela Forbes Under 30 e Casa Vogue, Ester defende uma arquitetura que escuta e responde às reais necessidades das favelas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A arquiteta e urbanista Ester Carro, de 31 anos, teve muitas dúvidas se seguiria na profissão. Nascida e criada no Jardim Colombo, na favela de Paraisópolis, não se imaginava na Arquitetura. Aos 14 anos, passou a considerar esse caminho ao observar com atenção o lugar onde vivia. Sempre quis saber por que havia tantos córregos abertos e casas de madeira na sua comunidade. — A única certeza que até então eu tinha era que, independentemente da profissão que eu fosse exercer, eu teria que devolver para meu território. Filha de pedreiro e neta de marceneiro, a paulistana promove uma arquitetura social, transformando espaços públicos e também as casas de quem, muitas vezes, não tem o básico, como banheiro ou ventilação nos cômodos. Para Ester Carro, tirar o mofo das paredes, pôr piso novo e jogar tinta nos tijolos da parede é mais do que uma obra. É dignidade. — Enxergo a arquitetura como uma ferramenta de cuidado com as pessoas e de transformação social. Aos 21 anos, a arquiteta fundou o Instituto Fazendinhando, que reforma moradias e espaços públicos precários em São Paulo. Montou o projeto Fazendeiras para ensinar a mulheres de comunidades o ofício da construção civil. Seu trabalho tem o desafio de pensar soluções para espaços reduzidos. Em 2023, a reforma de uma casa de apenas 4m², em Paraisópolis, envolveu a população local e atraiu doações. No mesmo ano, Ester entrou para a lista da Forbes Under 30, publicada pela revista para destacar o trabalho de jovens. Era sonho antigo estar no seleto grupo, confessa. Foi selecionada entre os 50 arquitetos, paisagistas e designers mais influentes do Brasil pela Casa Vogue e participou da Casacor São Paulo duas vezes. Um dos ambientes reproduzidos na renomada mostra foi a casa de 7m² de um morador de Paraisópolis. O projeto sob medida ergueu banheiro, cozinha e lavanderia, que não existiam. Ester Carro faz o design circular, que é o reaproveitamento de materiais. Peças que iam para o lixo são usadas nas obras e ganham nova função. A equipe ouve muito as demandas da comunidade e, ressalta a arquiteta, isso faz muita diferença. Entre os sonhos da paulistana, mãe solo e professora universitária, está o de que a arquitetura tenha mais “escuta”. — Os estudantes querem hoje formação conectada com a realidade brasileira, e as universidades precisam estar mais próximas das favelas. Não para levar respostas prontas, mas para construir uma troca. Saber nas redes sociais Ester compartilha o que sabe nas redes sociais. Avalia que é preciso aliar conhecimento técnico aos “saberes de quem vive os espaços diariamente”. Diz que já “entrou em mais de 2 mil casas em diferentes regiões do Brasil” e percebeu que 70% das famílias não tinham recebido orientações básicas sobre a construção. Ela molda planos sob medida para o futuro: ampliar sua área de atuação nas favelas e investir em publicações voltadas à arquitetura social.