Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arquiteto e paisagista, André Graziano desenvolveu jardins de chuva, política pública que revigora o solo da cidade de São Paulo — Foto: Edilson Dantas / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 18:31 André Graziano transforma São Paulo com 530 jardins de chuva urbanísticos André Graziano, arquiteto e paisagista, revolucionou São Paulo com jardins de chuva, política pública que mitiga alagamentos e revitaliza o solo urbano. Desde 2017, a cidade passou de 0 a 530 jardins, que absorvem água da chuva e poluentes, melhorando a drenagem. A iniciativa, agora global, transforma a paisagem urbana e reduz a impermeabilização do solo, destacando a importância de soluções sustentáveis em grandes metrópoles. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A aglomeração de edificações e a urbanização desigual que deram a São Paulo o apelido de "selva de pedra" têm várias consequências, e uma delas é vista em épocas de fortes chuvas: os alagamentos. Estima-se que a metrópole possua cerca de 800 rios, a maioria subterrâneos por força da ocupação humana. Quem passa hoje por grandes avenidas, como 23 de Maio e 9 de Julho, na região Central, muitas vezes não sabe que por baixo daquele concreto todo existem cursos d'água, quase todos poluídos, que foram canalizados e "escondidos" há dois séculos. Por cima, o solo, que era propício a receber todo o excesso de água que caía do céu, ficou impermeável. Essas duas vias são algumas das que começaram a receber, a partir de 2017, os primeiros jardins de chuva. Seu idealizador foi o arquiteto e paisagista André Graziano, de 50 anos, que trabalhou na administração municipal, na Subprefeitura da Sé, até 2021. Nesse período, a região foi de zero a 115 jardins. Após sua saída, o sistema se tornou política pública para toda a cidade — hoje existem 530 desses equipamentos. A ideia é simples: cava-se um buraco e nele é inserida a chamada "camada de rachão", que são pedras maiores, restos de entulho, suficientes para não deixar a área oca, mas também sem ocupar todo o espaço. Por cima são colocadas a terra e as plantas de pequeno e médio porte. —Os primeiros 15 minutos da chuva nas cidades carregam a maior parte dos compostos químicos, fuligem, resto de chumbo, entre outros. A ideia é direcionar isso para alguns jardins que acomodam esse volume de água dentro dessa "caixa" subterrânea. Esse produto, enfim, fica ali sedimentado e as plantas acabam usando esses elementos químicos. E aí, depois desses primeiros 15 minutos de chuva, em que esse material se depositou no jardim, a água que passa pelo jardim entra e sai, só que, como ela já vem mais limpa, ela pode sair mais limpa para a parte baixa da topografia —diz Graziano, que vem implementando a iniciativa desses jardins mundo afora, como em Angola. Ele atualmente desenvolve um projeto na Universidade Federal de São Carlos (SP). Não há tamanho padrão para os jardins de chuva, que podem ficar em calçadas, canteiros centrais e até em partes de ruas e avenidas. O maior da capital fica no entorno do Estádio do Pacaembu, na Zona Oeste. Após chuvarada recente, técnicos da prefeitura calcularam que o espaço recebeu 4% do volume armazenado no piscinão do Pacaembu, cujo reservatório tem capacidade para armazenar 75 milhões de litros de água, o equivalente a 30 piscinas olímpicas. No mês passado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) sancionou a lei que cria as chamadas vagas verdes na cidade. A medida vai transformar espaços para carros nas ruas em canteiros com vegetação. —No fundo, esses jardins, essas intervenções, conseguem amenizar o aspecto da cidade, desse padrão de cidade que o Brasil elegeu, de fechar os rios, de privilegiar o carro. Eles dão uma amenizada nisso. Eles transformam o ambiente numa paisagem que começa a dar um pouco mais de sossego para os olhos —afirma Graziano.