Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O economista e cientista ambiental Bernardo Strassburg é fundador e cientista-chefe do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 09:57 Cientista lidera esforços para Brasil cumprir meta de reflorestamento até 2030 Bernardo Strassburg, cientista ambiental, lidera esforços para o Brasil cumprir a meta de reflorestar 12 milhões de hectares até 2030, compromisso firmado com a ONU. Apesar de menos de um terço alcançado, Strassburg mantém otimismo, citando avanços em políticas públicas e a criação de uma economia voltada à restauração. Ele destaca a importância da ciência e da colaboração com a natureza nesse desafio crucial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Onze anos atrás, o Brasil assumiu junto às Nações Unidas o compromisso de reflorestar 12 milhões de hectares até 2030. Restam só quatro anos, e menos de um terço do objetivo foi atingido, conforme o Ministério do Meio Ambiente divulgou na COP 30, em novembro passado. Para o economista e cientista ambiental Bernardo Strassburg, fundador e cientista-chefe do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), porém, o cumprimento da meta ainda é factível, e pode confirmar o país como um dos líderes globais em restauração de florestas. Os 12 milhões de hectares equivalem à extensão territorial da Inglaterra, ou a três vezes o tamanho do estado do Rio. A área foi fixada no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, criado em 2017 e com o qual Strassburg colaborou desde a gestação — o IIS apoiou o ministério em seu desenho, junto a outras organizações. A recomposição da cobertura é crucial para enfrentar a crise climática que assola o Brasil e o mundo, uma vez que a vegetação absorve carbono da atmosfera e aumenta a resiliência do solo, entre outros benefícios ao ambiente. — As metas brasileiras de restauração da natureza são ambiciosas, mas plenamente factíveis: equivalem a 5% do que desmatamos no país. E grande parte disso pode ser atingida trabalhando em conjunto com a natureza, que tem enorme capacidade de se regenerar, se oferecermos algumas condições básicas. O progresso nesta década é encorajador. Mas em um contexto de mudanças climáticas e de perda de biodiversidade, é necessário acelerarmos os esforços — alerta Strassburg, que é professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio. Visão otimista A Mata Atlântica, destruída continuamente há mais de 500 anos, e hoje com índice de perda de 80%, é o bioma mais desafiador, e sua recomposição requer estratégia. No entanto, o aumento da área natural verificado nos últimos anos, na esteira de projetos de reflorestamento e de controle do desmate, além da regeneração operada pela própria natureza, traz otimismo, e pode marcar o início de uma virada histórica, aos olhos do cientista ambiental. Além de ter plantado árvores com as próprias mãos, Strassburg, que tem 46 anos, fundou, em 2021, a primeira grande empresa do setor no país, a Re.green, hoje com 20 mil hectares (20 milhões de árvores) em restauração. —Eu me mantenho otimista estudando e convivendo com a natureza, com sua resiliência, sua capacidade de se recuperar após choques e crises. É extremamente inspirador. E o Brasil avançou muito em políticas públicas estruturantes. O BNDES é hoje um grande financiador, e um novo setor econômico dedicado à restauração como negócio surgiu. Mas embora tenhamos um bom conhecimento científico sobre o tema, provavelmente o melhor nos trópicos, ainda precisamos investir mais em ciência e tecnologia pensando na escala da restauração —adverte.