Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 André Aquino coordena o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), aprovado na COP30 — Foto: Karina Iliescu / Ludus RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 08:56 André Aquino lidera fundo de US$ 25 bilhões para florestas tropicais André Aquino, especialista em gestão florestal, lidera o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), que visa arrecadar US$ 25 bilhões para a preservação ambiental. Coordenando esforços de 12 países, Aquino ajudou a levantar US$ 6,7 bilhões até agora. Ele destaca a importância de incentivos econômicos para combater o desmatamento, além da fiscalização. Aquino agora lidera o Centro Global de Ecossistemas do Banco Mundial na China. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Por conta da conjuntura política internacional, as conferências do clima da ONU têm conseguido poucos avanços no acordo para frear o aquecimento global, mas na COP30, realizada em Belém no ano passado, o Brasil anunciou um projeto que promete criar uma virada da chave em uma frente de combate fundamental a esse problema: a preservação das matas. O novo Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), um instrumento internacional para captar verbas destinadas a esse objetivo, já reuniu US$ 6,7 bilhões, com o objetivo de chegar a US$ 10 bilhões até o fim do ano, depois ampliá-lo até pelo menos US$ 25 bilhões. A criação desse fundo foi possibilitada por um trabalho envolvendo 12 países, coordenados por André Aquino, um técnico do Ministério do Meio Ambiente especializado em gestão florestal e direito ambiental, que na época era chefe da assessoria especial de economia da pasta. O trabalho foi resultado de um grande esforço coletivo, que envolveu técnicos em diversas áreas, em diferentes países, e precisou de uma liderança polivalente, que tivesse conhecimento tanto de diplomacia quanto de finanças e ecologia florestal. Com experiência de outros projetos no Brasil, como a definição dos novos padrões ambientais do Plano Safra, Aquino assumiu a tarefa e foi responsável pelo principal avanço internacional da área anunciado na COP30. Segundo ele, o Brasil foi capaz de colocar a proposta inicial de pé porque mostrou com o Fundo Amazônia e outras iniciativas que, para combater o desmatamento, os incentivos econômicos positivos para manter a floresta em pé são tão importantes quanto as ações policiais para combater a derrubada ilegal de árvores. —Nós só vamos conseguir avançar na agenda da preservação florestal e ganhar essa batalha se trouxermos os instrumentos econômicos para a mesa — diz. — Ou seja, o meio ambiente tem que valer e tem que pagar a conta. A política ambiental no Brasil precisa de fiscalização e multa pelo Ibama e pelo ICMBio, mas não é só isso. É preciso que a preservação florestal represente também uma forma de colocar dinheiro na economia. Aquino faz questão de frisar que o TFFF é o resultado do empenho de muitos especialistas. Técnicos como o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, e João Paulo de Resende, assessor especial do Ministério da Fazenda, também ajudaram a desenhar o projeto. —A criação do TFFF foi realmente um esforço coletivo, e eu era o braço que trazia essas peças todas juntas ali —conta Aquino, que deixou o Ministério do Meio Ambiente este ano para trabalhar no Banco Mundial, o órgão gestor do fundo. Um dos grandes desafios da equipe foi alinhar as expectativas dos diferentes países com o novo órgão, que mistura nações desenvolvidas doadoras com as em desenvolvimento, que abrigam as florestas a serem preservadas. Aos 45 anos, Aquino está liderando agora o Centro Global de Ecossistemas que o banco criou na China, com a missão de transferir a expertise do país asiático (líder global em restauração de vegetação natural) para outros países que precisam expandir cobertura florestal.