Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisa sobre árvores de Deliane Penha pode ajudar a salvar a Floresta Amazônica — Foto: Arquivo pessoal RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 10:15 Bióloga Deliane Penha Lidera Estudo Sobre Resiliência da Amazônia A bióloga Deliane Penha, destacada na lista "101 brasileiros que transformam o futuro" do O GLOBO, realiza um estudo aprofundado sobre as árvores da Amazônia, desde suas copas até as raízes. Seu trabalho, publicado em revistas científicas renomadas, investiga a longevidade das árvores e suas interações com microrganismos, ressaltando a resistência da floresta frente ao desmatamento. Deliane, coordenadora do Laboratório de Algas e Plantas da Amazônia, busca não apenas entender, mas também promover o protagonismo da ciência local para a conservação da floresta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Foi ao trabalhar dependurada nas alturas das gigantes da Amazônia que a bióloga paraense Deliane Penha mostrou que a complexidade e a resiliência da floresta são muito maiores do que as imaginadas. Agora, ela investiga o interior de troncos para descobrir como e por que morrem as árvores. É um literal mergulho na selva, das copas às profundezas das raízes, em busca de conhecimento capaz de ajudar a preservar a Floresta Amazônica e tudo o que dela depende no Brasil e no mundo. O trabalho de Deliane, publicado em revistas científicas de prestígio, tem revelado como as árvores funcionam e se protegem das agressões do desmatamento e do clima, como elas se conectam entre si e com uma infinidade de outras plantas, animais, fungos e microrganismos para formar uma floresta. — Quero entender o que determina a longevidade de uma árvore e, dessa forma, também as interações com microrganismos que tornam a floresta possível. A floresta é muito mais resistente do que se imagina, ela é forte, poderosa, mas totalmente indefesa frente ao desmatamento e à degradação —afirma Deliane, de 40 anos, coordenadora do Laboratório de Algas e Plantas da Amazônia, da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Oriximiná. Zumbis vegetais O tempo das árvores se conta em muitas décadas; por vezes, séculos. Elas são feitas para durar. Mas algumas vivem menos, tornam-se ocas e, por fim, morrem. Mas não caem. Permanecem como zumbis vegetais, mortas em pé, até que quebrem ou um raio ou o vento as derrube no chão. Segundo Deliane, cerca de metade das árvores da Amazônia morre em pé. As mais vulneráveis são as de madeira menos densa e de menor qualidade, como algumas espécies de jacarandá, ingá, tachi e embaúba. As árvores recorrem a um arsenal de medidas para se defender sem sair do lugar. Algumas têm folhas mais grossas ou intragáveis para a maioria dos animais; outras produzem venenos. E para isso podem estabelecer uma relação com fungos e bactérias que ajudam a produzir compostos químicos defensivos. Mas apenas uma ínfima parcela desses microrganismos é conhecida. Estudos de Deliane e de seu grupo também evidenciaram a pretensão de achar que se pode tentar compreender a Amazônia na frente de um computador, só com satélites e algoritmos. Sem dados de campo, não há IA que faça milagre. Mas obter os dados é mais do que só coletar, é analisar o que representam e o contexto no qual se inserem. Mãe de três filhos, Deliane já teve que enfrentar medo de altura, picadas de todo tipo de inseto e a inclemência do calor e da umidade da mata. Mas seu maior desafio, diz ela, é contribuir para o protagonismo da ciência nascida e criada na Amazônia, para que isso ajude a conservar a floresta. —Minha missão não é só produzir conhecimento, mas trabalhar para o protagonismo da ciência produzida por pessoas da Amazônia — salienta ela.
Deliane Penha: Bióloga mergulha na selva amazônica ao pesquisar árvores em um estudo que pode ajudar a salvar a mata
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






