Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A arquiteta mineira Gabriela de Matos pesquisa sobre a ancestralidade brasileira aliada à arquitetura — Foto: Brunel Galhego RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:39 Gabriela de Matos: Arquitetura Afro-Brasileira Brilha no Mundo Gabriela de Matos, arquiteta brasileira, destaca-se por integrar a ancestralidade e a brasilidade em seus projetos, como na Bienal de Veneza 2023, onde conquistou o Leão de Ouro. Em 2027, será curadora da Bienal de Arquitetura de São Paulo, buscando evidenciar a produção cultural brasileira. Criadora do projeto Arquitetas Negras, Gabriela mapeou 900 profissionais e fundou o Instituto Cambará para apoiar a arquitetura afro-brasileira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em entrevista ao GLOBO em 2019, a arquiteta, curadora e pesquisadora Gabriela de Matos afirmou: “a arquitetura é branca, elitista e machista”. Sete anos depois, continua com a mesma percepção, mas sabe que está trilhando um caminho para a mudança. Aos 40 anos, ela mesma já fez história. Junto com o colega Paulo Tavares, ganhou o Leão de Ouro de melhor participação nacional na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, um prêmio inédito para o país. Agora, prepara-se para um novo desafio: será uma das curadoras da 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 2027, sua estreia no renomado evento. O trabalho de pesquisa está começando e a arquiteta adianta que o projeto vai girar em torno da ideia de o Brasil ser “protagonista de sua própria história e de sua produção cultural”: — O público vai poder ver experiências de produção de arquitetura feitas nas comunidades indígenas, nos terreiros, nos quilombos e em áreas rurais e urbanas, mas com outras configurações de produções de arquitetura que a gente conhece. Para diversificar ainda mais esse olhar, Gabriela e Pedro Rossi, curador-residente da Bienal de SP, abriram um processo seletivo para convidar outros cinco curadores, um de cada região do país. Por duas vezes, Gabriela entrou para a lista da revista Casa Vogue entre 50 arquitetas e arquitetos mais relevantes do Brasil. Sua marca é valorizar a brasilidade e a ancestralidade nos projetos. Na Bienal de Veneza, por exemplo, ela jogou terra onde só se conhecia o concreto. Criou ambientes para colocar o público estrangeiro em contato direto com a tradição dos territórios indígenas, quilombolas e com os terreiros de candomblé. Monumento em Salvador Gabriela trabalha agora na reforma do terreiro da Casa Branca, uma área de 6 mil m², em Salvador. Segundo ela, é o mais antigo de que temos registro no Brasil e foi “o primeiro monumento negro tombado pelo Iphan”. A obra na residência manterá as características originais, como a predominância da cor branca, azulejos que fazem referência ao local e o uso do cobogó, que valoriza a ventilação e a luz: — Estou aprendendo sobre essa arquitetura que não é sequer considerada arquitetura dentro da maior parte das faculdades. E coloco minha função a serviço da manutenção e da divulgação desse espaço tão importante. Gabriela nasceu em Governador Valadares (MG). É filha de um arquiteto branco e de uma assistente social negra, ambos sempre ligados a questões sociais. Ela lembra como isso moldou seu caráter e a levou, na juventude, a entrar para o movimento negro e promover eventos culturais. Ela se formou na PUC de Belo Horizonte e conta que se sentiu muito “invisibilizada” durante toda a graduação. A percepção virou certeza quando, já formada, foi chamada para dar uma palestra na universidade e só reconheceram a ex-aluna quando viram a minibiografia na tela. Isso foi em 2018, quando Gabriela criou o projeto Arquitetas Negras. Percebeu que havia poucas mulheres na profissão e foi pesquisar. Hoje, tem mapeadas 900 profissionais de todo o país. Em 2022, Gabriela fundou o Instituto Cambará para fomentar a arquitetura afro-brasileira, criando oportunidades para profissionais negros. — Quero acreditar que a arquitetura pode ter uma função social. Atender pessoas que precisam ter cidades e moradias dignas.