Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A bailarina Ingrid Silva encara novo desafio como coreógrafa usando elementos da cultura brasileira em seus espetáculos — Foto: Leo Pinheiro/Valor RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 22:16 Ingrid Silva: Carreira Brilhante e Ativismo no Mundo do Balé Ingrid Silva, bailarina carioca de 37 anos, destaca-se por suas conquistas no Brasil e exterior. Após 18 anos no Dance Theatre of Harlem em Nova York, ela se tornou coreógrafa em 2024, criando obras sobre identidade e memória. Reconhecida pela Vogue e Forbes Brasil, e destacada pelo The New York Times, Ingrid também é ativista, fundadora de iniciativas como podHer e Blacks in Ballet, e desenvolve produtos para inclusão racial no balé. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A bailarina Ingrid Silva, de 37 anos, tem uma carreira marcada por grandes saltos: começou na dança aos 8 anos e passou por importantes companhias brasileiras, como a Escola de Dança Maria Olenewa, a de Deborah Colker e o Grupo Corpo, até que chegou à americana Dance Theatre of Harlem, de Nova York, onde ficou por 18 anos e atuou como primeira bailarina. Deu um novo passo em 2024, tornando-se coreógrafa. Vem criando espetáculos com "humanidade" e "elementos da cultura brasileira", como ela mesma define. — Eu parto de uma página em branco. Preciso criar um universo inteiro, pensar na narrativa, na música, na movimentação, nos bailarinos, na iluminação, nos figurinos e na forma como tudo isso conversa com o público. Gosto de criar obras que falem sobre pessoas, emoções, identidade, pertencimento e memória —explica. O novo desafio não amedrontou a bailarina de Benfica, que chamou a atenção quando executou seus primeiros plié e jeté em um projeto social na Mangueira. Em 2020, foi a primeira bailarina negra brasileira a estampar a capa da revista Vogue (posou nua e grávida). No ano seguinte, a revista Forbes Brasil a colocou na lista das "20 Mulheres de Sucesso". Em 2025, foi convidada a discursar na ONU para celebrar o Dia Internacional da Mulher. E este ano, o jornal The New York Times a incluiu em uma reportagem sobre mulheres em posição de liderança pelo mundo. — Se eu olhar para a menina que cresceu no subúrbio do Rio e começou a dançar por um projeto social, jamais imaginaria viver tudo o que vivi —admite. Pintando sapatilhas No exterior, a carreira deslanchou e a militância também. Ingrid passou 11 anos (2008 a 2019) pintando com base de maquiagem as próprias sapatilhas com o tom de sua pele, até que elas passassem a ser fabricadas assim. Esses calçados viraram peças de valor artístico: desde 2020, um deles está no acervo do Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian, em Washington. — Durante muitos anos tentei me encaixar em padrões que não me representavam. Com o tempo, entendi que minha maior força estava justamente na minha identidade —diz ela, que narrou sua trajetória na biografia "A sapatilha que mudou meu mundo" (2021) e no livro infantil "A bailarina que pintava suas sapatilhas" (2023). Mirando sempre novos caminhos, há alguns anos, Ingrid fundou o podHer, uma organização internacional para conectar mulheres, e o Blacks in Ballet, que cria oportunidades para bailarinos negros. Atualmente, ela está desenvolvendo uma linha de meias-calças em diferentes tonalidades de pele. Além disso, acompanha os passos da filha Laura, de 5 anos, e já ensaia o que dizer à menina se ela decidir seguir o mesmo caminho profissional. — É para ela nunca permitir que ninguém defina o tamanho dos seus sonhos. O balé é maravilhoso, mas não pode determinar quem você é como pessoa —ensina Ingrid.