Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cristiana Beltrão criou o Instituto Bazzar, que completa dois anos com a missão de usar a gastronomia para fortalecer o turismo no Rio — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 00:42 Cristiana Beltrão investe R$ 5 mi para transformar RJ em polo gastronômico sustentável Cristiana Beltrão, criadora do Instituto Bazzar, busca impulsionar o turismo no Rio de Janeiro através da gastronomia, valorizando pequenos produtores e a cadeia sustentável. Com investimento próprio de R$ 5 milhões, o instituto conecta agricultores e artesãos a restaurantes autorais, promovendo produtos nativos e identidade local. O projeto visa consolidar o Rio como destino gastronômico internacional, fortalecendo uma economia sustentável e única. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Durante 25 anos à frente do Bazzar, Cristiana Beltrão transformou o restaurante e a fábrica de alimentos em vitrines para ingredientes garimpados de pequenos produtores locais, muitos deles desconhecidos até pelo público carioca. Quando o negócio fechou, em 2022, decidiu levar esse trabalho para além das mesas. Com recursos próprios —cerca de R$ 5 milhões investidos até agora—, criou o Instituto Bazzar, que completa dois anos com a missão de usar a gastronomia para fortalecer o turismo no Rio de Janeiro, impulsionar pequenos negócios e ajudar a construir uma identidade gastronômica para o estado. A aposta tem como base um mercado em expansão. Segundo estudos do instituto, o turismo gastronômico movimenta quase US$ 1 trilhão por ano no mundo, mas concentra seus visitantes em 10% dos destinos globais. Embora seja um dos principais destinos do país, o Rio ainda não é reconhecido internacionalmente pela culinária. Para Cristiana, de 57 anos, o estado pode disputar esse mercado ao valorizar o que tem de único: produtos nativos, pequenos produtores e uma cadeia sustentável: —O que move o turista é identidade e sustentabilidade. Ninguém cruza um oceano para comer mais um carbonara, mas para viver uma experiência que só existe aqui. O Rio tem potencial para ser “caviar” em tudo. Produção artesanal Para mudar esse cenário, o instituto identifica e conecta agricultores e artesãos familiares a restaurantes autorais comprometidos com a valorização do território. Em vez de aproximá-los de grandes redes varejistas, aposta em negócios de escala semelhante, criando uma cadeia em que ambos possam crescer juntos. Além da curadoria, o instituto ajuda a remover entraves burocráticos e apoia produtores na obtenção de certificações. Os produtores apoiados registram, em média, aumento de 65% nas vendas. Entre eles estão o Porco Alado, de Nova Friburgo, cuja charcutaria conquistou o Selo Arte em apenas dois meses após articulação do instituto, depois de dois anos de tentativas; as queijarias artesanais de Valença; produtores de café especial do Noroeste Fluminense; além de iniciativas dedicadas ao cacau agroflorestal, à pesca artesanal e a frutas nativas da Mata Atlântica, como grumixama e uvaia. Do outro lado, a rede reúne hoje casas como Lasai, Lilia, Trégua, Ocyá e Angá, além da padaria Slow Bakery e da sorveteria Vero, e produz conteúdo audiovisual bilíngue para promovê-los no exterior. A próxima frente é consolidar uma base de pesquisa sobre a história da gastronomia fluminense —já são cerca de 70 mil páginas catalogadas— para mapear ingredientes, produtos e tradições que definem a identidade gastronômica do estado, além de capacitar restaurantes para receber turistas estrangeiros e atrair empresas privadas interessadas em financiar projetos ligados à biodiversidade, à pesca artesanal e à agricultura sustentável. —O Brasil é feito do pequeno. São famílias produzindo alimentos e pequenos restaurantes gerando empregos, mas quase sempre sem voz. Se continuarmos conectando os pequenos aos gigantes, vamos perpetuar relações desiguais. Nossa maior contribuição é fortalecer quem produz com excelência, porque é daí que nasce uma economia sustentável e uma gastronomia única, capaz de atrair o mundo.