Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O livreiro Demezio Batista e a professora de literatura Verônica Marcílio uniram forças em um projeto que já espalhou 58 bibliotecas por comunidades do Rio — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 11:40 Projeto Favelivro: 58 Bibliotecas Comunitárias no Rio sem Apoio Fiscal O livreiro Demezio Batista e a professora Verônica Marcílio criaram 58 bibliotecas em comunidades do Rio de Janeiro através do projeto Favelivro, sem patrocínio ou incentivo fiscal. O projeto, que conta com doações e trabalho voluntário, visa fortalecer a educação e a leitura, transformando espaços comunitários em bibliotecas. Cada unidade é apadrinhada por figuras públicas que dão visibilidade à iniciativa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O livreiro Demezio Batista, de 59 anos, e a professora de literatura Verônica Marcílio, de 53, juntaram a fome de cultura com a vontade de ler. Ou vice-versa. Em 2012, ele, que distribuía livros para a população em situação de vulnerabilidade, e ela, que oferecia oficinas de literatura para esse mesmo público-alvo, uniram forças em um projeto que já espalhou 58 bibliotecas por comunidades do Rio de Janeiro. A rede criada pela dupla é maior do que a do poder público. O projeto Favelivro foi construído sem um centavo de patrocínio ou incentivo fiscal. À base de doações de obras e mobiliário, além do trabalho voluntário, multiplicou-se e deu crias, como uma vertente itinerante por praças da cidade e outra voltada para alunos da rede pública de ensino. —A gente tem fé na melhora da sociedade como um todo e acha que isso vai acontecer através do livro e do fortalecimento do chão da escola — observa Verônica, cujo amor pela leitura nasceu na infância, sob o incentivo do pai, que era motorista de ônibus. O conceito do Favelivro é simples. A criação da biblioteca parte de um pedido da comunidade e de uma única exigência: quem faz a demanda precisa sugerir o local da instalação. Pode ser uma sala sem uso da associação de moradores, uma sede de projeto social, uma igreja ou mesmo a garagem de uma casa. A partir daí, os dois vão atrás de livros, estantes, mesas e cadeiras — sempre frutos de doação. Bibliotecas têm padrinhos O espaço costuma ser batizado com o nome de um artista ou jornalista em evidência, que se torna padrinho do lugar, comparece à inauguração e ajuda a dar visibilidade ao projeto. A primeira biblioteca, instalada em 2020 no Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, homenageou o escritor José Mauro de Vasconcelos, autor do clássico “Meu pé de laranja lima”, o único a ganhar celebração póstuma. A mais recente, instalada no bairro da Gamboa no último dia 25, recebeu o nome da jornalista Maju Coutinho. Na versão itinerante, uma Kombi transporta estantes e livros — os exemplares não precisam ser devolvidos. Ao mesmo tempo, um trabalho é desenvolvido em salas de aula: alunos da rede pública mergulham na obra de um autor ou de um tema específico. Em junho, a violência contra mulheres, por exemplo, levou a jornalista Ana Paula Araújo, da TV Globo, autora do livro “Agressão: a escalada da violência doméstica no Brasil”, ao Ginásio Educacional Tecnológico Comenius, em Bangu. O assunto foi dissecado em sala com os professores. Demezio observa que nenhuma unidade do Favelivro fechou até hoje e credita o sucesso da iniciativa ao fato de as bibliotecas serem fruto do desejo dos moradores, também responsáveis pela gestão das bibliotecas comunitárias. — Meu desejo é que os livros sejam espalhados pelo Brasil. Nossa parte, nós estamos fazendo, plantando uma sementinha — afirma ele.