Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Olavo Nogueira, diretor executivo do Todos Pela Educação, é um dos maiores especialistas do país em políticas públicas na educação — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 22:20 Brasil se Prepara para Salto Educacional com Novas Reformas Olavo Nogueira Filho, diretor do Todos pela Educação, destaca que o Brasil está prestes a dar um salto na qualidade do ensino. Reformas como a Base Nacional Comum Curricular e o Novo Fundeb estão avançando, enquanto iniciativas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada ganham força. Nogueira, que começou sua carreira após experiências sociais na Guatemala, lidera esforços para políticas públicas eficazes e destaca a importância de atrair jovens para a docência e melhorar sua formação e condições de trabalho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um dos maiores especialistas do país em políticas públicas na educação, Olavo Nogueira Filho tem surpreendido os espectadores de suas palestras. Quem espera ouvir dele prognósticos pessimistas tem as expectativas frustradas logo na introdução, quando diz: “O Brasil nunca esteve tão próximo de dar um salto de qualidade na educação”. Aos incrédulos, ele explica: — Desde 2017, uma reforma silenciosa ganha corpo, com a Base Nacional Comum Curricular, o Novo Fundeb e a expansão da educação em tempo integral e profissional. No atual ciclo político, avançaram iniciativas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a Prova Nacional Docente, a Política Nacional da Primeira Infância, o Sistema Nacional de Educação e o novo Plano Nacional de Educação, que acaba de sair do forno. As peças do quebra-cabeça estão, enfim, começando a se encaixar. Diretor executivo do Todos Pela Educação, em que atua há dez anos, Nogueira despertou para as pautas sociais durante a graduação na Universidade de Notre Dame, nos EUA, onde estudou com bolsa para atletas. Jogava golfe e cogitou seguir carreira profissional. — A universidade incentiva muito os alunos a se aprofundarem em questões sociais e a se envolverem em projetos concretos. No último ano do curso, passei dois meses na Guatemala. Ali, nasceu o desejo de construir uma carreira dedicada à solução de problemas públicos — conta. Ação em quatro frentes De volta ao Brasil, em 2010, começou a trabalhar na Parceiros da Educação. Entre 2013 e 2016, foi subsecretário de Educação do Estado de São Paulo e, em seguida, migrou para o Todos Pela Educação, que passava por uma reestruturação, dez anos após sua fundação. — Na primeira década, a organização defendia a educação de forma mais ampla. Depois, passou a trabalhar por uma agenda de políticas públicas chamada Educação Já. Lançada em 2018, ela foi atualizada em 2022 e 2026. A versão de 2022 reunia 13 temas desdobrados em 44 medidas. Desde então, 30 delas avançaram, muitas com contribuições decisivas do Todos. É um bom indicativo do impacto — aponta. Ao lado de Priscila Cruz, presidente da organização, ele colidera uma equipe que atua em quatro frentes: formulação de políticas públicas, articulação com o poder público, promoção do debate e mobilização de dezenas de organizações da sociedade civil em torno da agenda Educação Já. No ano passado, foi pesquisador visitante na Universidade de Oxford, onde aprofundou seus estudos sobre implementação de políticas educacionais, tema que considera crucial, mas ainda secundarizado no debate brasileiro. Sua ligação com o Velho Continente vem de berço: nasceu, há 38 anos, em Luxemburgo (mas é brasileiro). Viveu lá até os seis meses, morou no Rio de Janeiro até os 7 anos e, então, mudou-se definitivamente para São Paulo. Apesar do otimismo com os avanços da educação brasileira, ele chama atenção para desafios que precisam ganhar espaço no debate, como o uso excessivo de telas pelos estudantes e a interrupção crescente das aulas por eventos climáticos extremos. Ainda assim, para Nogueira, há um tema que sobrepuja todos os outros: — O país precisa atrair jovens para a carreira docente, assegurar uma formação inicial de excelência e oferecer condições para que os professores façam bem o seu trabalho nas escolas. Afinal, sem uma profissão docente forte, não teremos uma boa educação.