Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O chef João Diamante virou referência na gastronomia carioca — Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 23:03 Chef João Diamante transforma vidas com gastronomia social no Rio João Diamante, chef baiano radicado no Rio, une gastronomia e impacto social, formando 400 profissionais através do projeto Diamantes na Cozinha. Criador do programa "Cozinha de Favela", busca dar visibilidade a empreendedores periféricos. Sua trajetória de superação inspira, mostrando o poder transformador da arte e educação. Destacado pelo O GLOBO, segue promovendo inclusão e sonhando com políticas públicas mais eficazes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O chef João Diamante nasceu na Bahia e veio para o Rio, com a mãe e a irmã, ainda na infância. Cresceu no complexo do Andaraí, na Zona Norte, onde participou de diversos projetos sociais, da capoeira ao balé. Aos 35 anos, além de comandar o Dois de Fevereiro, no agitado Largo São Francisco da Prainha, é o criador do projeto social Diamantes na Cozinha e idealizador do Cozinha de Favela, programa da TV Globo que dá visibilidade a empreendedores periféricos. No início, a gastronomia não foi opção, foi necessidade. Criado pela mãe solo, aprendeu a fazer arroz, feijão, macarronada e outros pratos simples para a família. Com 7 anos, o primeiro trabalho: uma padaria. Já na adolescência, entrou para a Marinha, realizando um sonho da mãe. Foi direto para a cozinha, onde finalmente descobriu a paixão pela gastronomia. —Era o único lugar da Marinha onde eu teria tempo para estudar, pela flexibilidade de horário. Comecei a evoluir e ganhava elogios porque fazia o básico bem feito: um gelo no suco, temperar melhor o feijão, um arroz soltinho. Percebi que a comida pode mudar o dia a dia e decidi que seria cozinheiro — conta ele. Aos 19 anos, João iniciou a faculdade de gastronomia através do FIES. Anos depois, formado entre os três melhores alunos da turma, recebeu uma bolsa para trabalhar com Alain Ducasse no Le Jules Verne, no segundo andar da Torre Eiffel, em Paris. Sem saber falar francês, Diamante largou a Marinha e foi: — Eu já perdi mais de 50 amigos para o tráfico de drogas. Mas, através da arte, da cultura e da educação, eu pude sonhar além. O pessoal fala 'caraca, que história de superação', mas eu não queria ter essa história. Queria sair do mesmo lugar, com as mesmas oportunidades. Quero dar às pessoas o que eu não tive, e foi dessa vontade que nasceu o Diamantes na Cozinha. Corrente do bem Ainda na França, João desenhou todo o projeto que utiliza a gastronomia como ferramenta de transformação social e dignidade, além de formar profissionais em diversas frentes do ramo. Em 2016, a primeira turma se concretizou, com dez alunos. Hoje, o Diamantes já formou mais de 400 profissionais, impactando mais de seis mil pessoas. No ano passado, João sonhou ainda mais alto. Idealizou o programa de TV Cozinha de Favela, que apresenta ao lado do jornalista Rene Silva, na Globo. Quando foi ao ar, em maio, o impacto foi exponencial, atingindo mais de dois milhões de pessoas: —Se não existisse a favela, não existiria restaurante premiado. É a periferia que está na retaguarda dessas cozinhas, que desce todo dia para servir as mesas e preparar os pratos. Hoje, o que diferencia a gastronomia da favela e do asfalto é a importância que o poder público dá à segurança dessas regiões. Para o futuro, o plano é continuar trabalhando nos projetos, com novas turmas e nova temporada na TV. João deseja seguir fazendo parte dessa corrente do bem e espera que ela aumente: — Eu só cheguei até aqui porque o coletivo me fez chegar. Precisamos avançar nas políticas públicas, tanto no governamental, quanto individual. Ter um projeto social não precisa ser algo especial, deveria ser algo comum, uma ação daqueles que podem ajudar o próximo e contribuir com o todo