Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ana Paula Curiacos e Marcelo Urtado transformaram a fazenda Três Meninas em referência mundial em agricultura regenerativa — Foto: Nilani Goettems/Valor RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 00:28 Fazenda Três Meninas: Café Sustentável e Inovação em MG Ana Paula Curiacos e Marcelo Urtado transformaram sua paixão pelo café em referência de agricultura regenerativa na Fazenda Três Meninas, em Monte Carmelo (MG). Desde 2016, o casal promove práticas sustentáveis, como a plantação de agroflorestas e projetos com abelhas nativas, enquanto valoriza o trabalho feminino. A iniciativa, que também mitiga efeitos climáticos e beneficia a comunidade local, é exemplo de inovação no agronegócio. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Fundada em 2016 por Ana Paula Curiacos e Marcelo Urtado, a Fazenda Três Meninas, em Monte Carmelo (MG), hoje é referência em agricultura regenerativa. A zootecnista e o agrônomo se conheceram quando estudavam em Botucatu (SP), há mais de 30 anos. O casamento rendeu uma história singular, repleta de café e na qual a natureza também é sócia. —Entrei no café por amor, sem tradição no meio rural. Trabalhamos na fazenda do pai do Marcelo, mas queríamos inovações. Juntamos recursos e compramos a nossa fazenda —conta Paula. Defensor da equidade de gênero, Marcelo ressalta o desempenho de Paula: —A herança familiar foi a paixão pelo café. Mudei o nome da fazenda em homenagem às mulheres da família e ao trabalho da Paula. É uma forma de educar com exemplo da importância das mulheres como mães e empreendedoras. Inspiramos outras mulheres do agronegócio a mostrarem seu valor, transformando a cafeicultura e a agricultura da região. Desde o início, para combater pragas e construir um ambiente mais resiliente e equilibrado, eles aplicaram métodos da agricultura regenerativa, até então desconhecidos. —A ideia é que a fazenda passasse pelos desafios de clima, pragas, e voltasse forte. Começamos no solo. Solo rico propicia ao café mais saúde e resiliência — destaca Paula. Encararam o plantio com visão sistêmica, diversificando estratégias de solo, água e sequestro de carbono. Plantaram uma agrofloresta entre "ruas" de café, com 12 mil árvores e arbustos. Atraem insetos que combatem pragas e servem de quebra-ventos, o que cria um microclima importante para a florada, trazendo polinizadores. Temperaturas baixas e menos vento reduzem o consumo de água. Plantas de cobertura rasteira otimizam o aproveitamento de água da chuva. Na fazenda, um projeto com abelhas nativas sem ferrão também está sendo desenvolvido, com o apoio de universidades. Elas servem como indicadores ambientais e, segundo estudos, aumentam a produtividade da lavoura. —A natureza é sócia. Nosso sequestro de carbono supera as emissões, mitigando os efeitos do clima. Vendemos café com serviços sociais e ambientais acoplados. A produção de água abastece sete mil pessoas e serviços sociais na comunidade. Toda a cadeia do café, até o consumidor final, se beneficia — detalha Paula. De loucos a visionários Entre as dificuldades superadas no início, eles destacam a falta de informação sobre as técnicas regenerativas. De "loucos", passaram a visionários, conta Paula: —Marcelo fez um trabalho de Hércules para adaptar ao café o que vinha de soja e milho. O que dava certo em testes era multiplicado. Até hoje há poucos técnicos em agricultura regenerativa. A fazenda de 72 hectares recebe universidades, institutos de pesquisa e pequenos produtores para troca de informações. Recentemente, a Três Meninas aderiu à Rota do Turismo do Café do Cerrado Mineiro, com apoio do Sebrae, para visitação com abordagem técnica. Eles explicam que o investimento bem aplicado recompensa. Há práticas que trazem água para o sistema. O uso da energia solar reduz emissões de carbono, e a fazenda paga a taxa mínima de luz para a concessionária. Neste caminho, o casal que sonha junto compartilha o que deseja para o futuro: —Sonho com um mundo com objetivos mais comuns, menos brigas, mais convergência de interesses —diz Marcelo. Paula complementa: —Que o pensamento sistêmico de regeneração não seja só meio de produção, mas um modo de vida desenvolvendo sistemas para fazer essa roda da prosperidade mais forte, robusta, com crescimento sem custo alto para a sociedade e o ambiente. Em tempos de transição, o espírito colaborativo conta muito para se chegar mais rápido onde se almeja. A evolução é individual, mas a jornada é coletiva. É preciso que todos façam a sua parte.
Ana Paula Curiacos e Marcelo Urtado: Casal transformou paixão pelo café em exemplo de agricultura regenerativa, obtendo resultados com sustentabilidade
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






